domingo, 2 de agosto de 2015

ÁGUA - ASSUNTO DO QUAL NOS ESQUIVAMOS, UM BEM QUE USAMOS E QUE PODE TORNAR-SE RARO.


SERÁ PRECISO CORAGEM E DISPOSIÇÃO PARA MUDAR PRÁTICAS SECULARES DE DESTRUIÇÃO DA NATUREZA. OU AGIMOS, AGORA, COM CONSCIÊNCIA, OU AS GERAÇÕES FUTURAS TERÃO QUE PAGAR A NOSSA CONTA.


Chegamos ao século XXI, e uma certeza, impõe-se a todos nós: o uso racional da água é indispensável à vida. A água está se tornando escassa em muitas regiões e será necessário reduzir drasticamente o seu consumo, ou populações inteiras, que já sofrem escassez, passarão a conviver com situações dramáticas.
 
A pressão do homem sobre a terra é nítida em dois aspectos fundamentais: o próprio crescimento da raça humana e a exploração econômica dos recursos naturais. À medida em que a população esta aumentando, novos desafios vão surgindo para garantir a nossa sobrevivência. Com isto o homem muda a geografia da terra, das encostas e dos cursos d'água, aumentando a vulnerabilidade do próprio homem aos eventos extremos da natureza como inundações, secas, deslizamentos de terra, entre outros fenômenos.

A água, sua produção, preservação, proteção e uso racional são temas ambientais dos mais importantes nos dias de hoje. Pouco valor terá casas, terrenos áridos, edifícios, veículos, barcos, se não houver o alimento água, o sustentáculo de tudo.

É necessário promover debates em todos os níveis da sociedade, por pessoas de todas as idades, em locais acessíveis à comunidade. Mobilização social! Esta é a chave para a solução do desperdício. Mobilizar pessoas, grupos, organizações, segmentos da população para que saiam da estagnação e criem, através da educação e conscientização, um ideal coletivo de uso racional da água. 
 
A população, seja ela urbana, rural, residente em periferia ou pequenas comunidades, tem direito a água potável de boa qualidade, livre de qualquer tipo de contaminação.

Implantando uma política de governar através das agências reguladoras de sistemas públicos, o governo federal baixou a lei n.º 9.984, criando a Agência Nacional de Águas (ANA), para funcionar nos mesmos moldes que a ANP (Petróleo), ANATEL (Telecomunicações), ANEEL (Energia Elétrica), um organismo gestor e fiscalizador do uso dos recursos hídricos no Brasil, com o objetivo de estabelecer maior controle sobre segmentos até então, livres usuários dos recursos hídricos. Desta maneira, a água deixou de ser um bem de uso comum e ilimitado, para ser um bem de uso controlado, com valor econômico agregado.

As empresas municipais de abastecimento de água, passam a pagar pela água que captam gratuitamente nos rios para fornecimento público, as usinas de energia elétrica, da mesma forma, terão que pagar pela água que usam gratuitamente para gerar energia elétrica e conseqüentemente impulsionar o seu negócio.
 
A ANA, a exemplo das outras agências reguladoras de sistemas como demonstrado, exercerá papel de fiscalização para que estes novos custos atribuídos aos empreendedores, não sejam repassados ao consumidor através das contas de água, o que vai exigir destes prestadores de serviços por outro lado, mais eficiência administrativa.

Primeiramente, o grande poluidor dos recursos hídricos no Brasil, são as prefeituras municipais, que deveriam estar tratando todo o esgoto das cidades antes de seu despejo. Em segundo a agroindústria, face ao uso desordenado e indiscriminado de agrotóxicos que acabam por contaminar o solo e a água. Em terceiro as atividades mineradoras, em sua maioria ilegais, e por último, a indústria com a emissão de seus efluentes.
 
A responsabilidade pelos serviços de água é dos governos e torna-se necessário um sistema democrático e responsável como requisito para dispor de um serviço eqüitativo.
É hora de abolir privilégios e interesses econômicos e partir para políticas que levem em conta as necessidades e urgências sociais, garantindo a qualidade de nossa água, por meio de ações que determinem a preservação dos recursos hídricos das bacias hidrográficas.
 
As questões referentes a água para o desenvolvimento devem necessariamente passar pela participação da sociedade na gestão dos recursos hídricos, na transparência do processo e na tomada de consciência de que a gestão da água é um assunto de todos nós.

Vejamos, por exemplo, o que ocorre em nossa região com relação à proteção das nossas fontes naturais: somos banhados e abençoados por rios que nos proporcionam, além do lazer, alimentos saudáveis e em quantidade razoável; água em abundância para o consumo doméstico; irrigação natural das suas margens durante as cheias que ocorrem, principalmente, no verão; e o equilíbrio do ecossistema por onde eles correm. A nossa região é cortada pelos Rios Turvo Pequeno, Turvo Grande, Capivari, Aiuruoca, Rio Grande e tantos outros que nos colocam num patamar de extrema importância diante do quadro nacional de águas doces.

Mas será que estamos fazendo algo pelos nossos rios? Será que estamos protegendo suas margens? Será que estamos protegendo suas nascentes e cuidando das matas ciliares? Será que estamos denunciando a pesca predatória feita através das famosas tarrafas e por outros meios cruéis? Estamos evitando jogar lixo em nossas nascentes e nos córregos? Será que estamos buscando alternativas para evitar que o esgoto industrial e doméstico não seja jogado nos rios? A NÃO SER POR AÇÕES ISOLADAS DO MINISTÉRIO PÚBLICO, DO IEF E POLÍCIA FLORESTAL nada parece estar sendo feito de concreto pela população. 
 
Nossos rios, a continuar a degradação lenta e silenciosa que se opera, com os desmatamentos, queimadas, lançamento de esgotos nas suas águas, pesca predatória e assoreamento das suas margens por construções e empreendimentos sem critérios, em breve começarão a agonizar, tal como muitos outros já deixaram de cumprir seu papel de equilibradores do ecossistema.
 
O Ecossistema da nossa região, na defesa da atividade pastoril, já foi, por demais, devastado, provocando o desaparecimento das nossas matas e maior parte dos animais silvestres que aqui viviam. Quando observamos que micos, tucanos, corujas brancas, lobos guiarás, canários, dentre outros, começam a procurar os centros urbanos para se alimentarem, concluímos que algo está errado na natureza e a culpa não é desses animais, mas, sim, do homem que destruiu seu habitat.

Contudo, vemos, além das ações já destacadas anteriormente, outros projetos que buscam proteger o nosso ecossistema, tais como os que se desenvolvem no Município de Aiuruoca por ONGS, na defesa da sua APA e contra a instalação de uma usina que inundará uma região inteira; temos as ações, feita pelas Câmaras Municipais de Andrelândia e Santana do Garambéu para evitar que se instale, a exemplo de Aiuruoca, usina hidrelétrica que inundará uma região que atravessa os dois municípios; podemos observar que em Andrelândia a Prefeitura mantém um Aterro Sanitário e Usina de Reciclagem de Lixo; E destacamos, também, o trabalho do NPA em Andrelândia na recuperação e preservação das matas e todos os recursos naturais do Parque da Serra de Santo Antônio.

As ações acima são louváveis e mostram um nível de conscientização do Poder público e das ONGS, mas falta, ainda, a conscientização das populações das cidades que dependem desses rios para sobreviverem, no sentido de que parem de jogar lixo nos córregos, rios e matas; terminem com o desmatamento; cessem a pesca predatória e respeitem, de forma geral, a fauna e a flora.


Pedro paullo de Oliveira
Palestrista/Conferencista/Consultor Parlamentar e Executivo, especialista em história e estudante de Direito no IPTAN
E-mail: pedropaullo.p@gmail.com – Blogs: http://.redatornacional.blogspot.com http://escritoresnovos.blogspot.com – SITE: www.cabraleoliveira.com.br




quinta-feira, 16 de julho de 2015

ANDRELÂNDIA, UM PARAÍSO REDESCOBERTO EM MINAS GERAIS



ANDRELÂNDIA, UM PARAÍSO REDESCOBERTO.


  
Andrelândia...Uma pequena e bucólica cidade do interior de Minas Gerais. Situa-se entre as cidades de Juiz de Fora, São João Del Rey, Barbacena e Caxambu. Pela sua importância política em outros tempos, é sede de comarca das cidades de São Vicente de Minas, Madre de Deus de Minas, Arantina, Bom Jardim de Minas e Piedade do Rio Grande. Sedia, também, a 140ª CIA Policia Militar de Minas Gerais, a Agência da Receita Estadual e a Delegacia de Policia Civil, com delegados, detetives e escrivão.

                A população de Andrelândia está em torno de 12.500 habitantes, espalhados pela zona rural e urbana, sendo que 85%, dela encontra-se na cidade. A economia do município baseia-se na produção da agropecuária com destaque para o leite de altíssima qualidade que produz queijos únicos no Brasil. Os pastos da região produzem proteínas e enzimas que dão consistência específica aos queijos, tornando-os mais saborosos e cremosos. Destaque para as marcas YEMA E ROSENA que possuem lojas de produtos da fábrica na cidade. 


A MARCA DE QUEIJOS YEMA produz, além dos queijos finos, os tradicionais.
A MARCA DE QUEIJOS ROSENA especializou-se na produção dos queijos prato lanche e mozzarella, sendo esses dois considerados os melhores da região. 

Outra atividade que destaca Andrelândia são as suas lojas de materiais de construção espalhadas por toda a região, tendo como as mais importantes o CLUBE DA CASA RIVELLI e a COPERGOL MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO. 

E, para fechar a área de comércio e indústria, destacamos a Rede de SUPERMERCADOS IBRALÂNDIA e SUPERMERCADOS NOGUEIRA, que tem seu destaque e pioneirismo em Andrelândia. 

Como destaque de empreendedorismo na área rural destacamos  AGROTORA REFLORESTAMENTOS, PECUÁRIA E CAFÉ que, diversificando a sua produção, investe no plantio de eucaliptos, café e, recentemente, azeitonas. É a maior empregadora do ramo rural do município de Andrelândia. Seu lema é: UMA HISTÓRIA DE RESPEITO AO MEIO AMBIENTE, UM TRABALHO PELA VIDA. Não é por acaso que ela tem esse lema. Ele se deve aos vários selos recebidos pela qualidade dos seus produtos e pelo trabalho feito em prol da preservação do meio ambiente nas suas fazendas.



A rede hoteleira de Andrelândia é considerada a melhor da região, com mais de 250 apartamentos disponíveis. A cidade possui, ainda, vários restaurantes e lanchonetes que servem desde comidas típicas até outras mais sofisticadas. Para os amantes da vida noturna, a cidade tem duas casas de shows famosas: a DISCOVÊNES E A MEGA NIGHT, ambas com atividades permanentes todos os finais de semana e feriados. O Campestre Clube de Andrelândia, uma megaestrutura de lazer, atende sócios e visitantes com três piscinas, tobogã, duas quadras de esporte, sauna, academia, campo de futebol, parque infantil, salão de jogos, lanchonete e um salão de eventos coberto com mais de 1000 m².

Outro destaque de Andrelândia está no turismo rural. São mais de 10 cachoeiras belíssimas. No entanto, as que têm estradas transitáveis são: Cachoeira das Bicas (na bicentenária Fazenda e Pousada das Bicas), essa cachoeira é dotada de um escorregador natural que desagua numa queda de mais de 2 metros; e Cachoeira do Capivari, na antiga Estrada Andrelândia/Madre de Deus com vista da Serra dos Dois Irmãos, águas cristalinas e praias de areia branca; 

Um dos pontos mais importantes de Andrelândia é seu parque arqueológico. Comumente chamado de Serra de Santo Antônio, é uma área de mais 100.000m² que abriga um sítio arqueológico reconhecidamente com mais de 3.500 anos. Dentro do parque, além de trilhas por uma natureza exuberante e conservada, existem as grutas com inscrições rupestres onde os nativos se reuniam para as suas adorações, suas refeições, enterrar seus mortos, momentos de intimidade e sexo, e dormir.


FESTAS
CARNAVAL - O Carnaval de Andrelândia sempre foi considerado um dos melhores da região, com 5 dias de Folias e desfiles de Blocos tradicionais, com destaque para o Bloco das Virgens que uninfica mais de 3000 foliẽs pelas ruas da cidade e na Praça Visconde de Arantes - Sambódromo tradicional da cidade. O Carnaval acontece desde o início do do séc. XX.

 
SEMANA SANTA – A Semana Santa tal como é comemorada em Andrelândia, não existe igual em nenhum outro lugar do mundo. Durante toda a semana a Igreja Católica promove procissões e cultos típicos com sermões emocionados onde os fiéis carregam andores com imagens em tamanho natural, com destaque para Nossa Senhora das Dores com o peito atravessado por um punhal e Jesus Cristo articulado e crucificado. Outro ponto alto é a Semana Santa ao vivo, onde atores interpretam a paixão e ressurreição de Cristo.
CORPUS CHRISTI – Esta festa, comemorada pela Igreja Católica, reúne estudantes de todas as escolas na feitura de tapetes que lembram a ressurreição de Cristo. Os tapetes são verdadeiras obras de arte.
FESTAS JUNINAS – durante os meses de junho e julho toda a cidade e parte da zona rural são tomadas pelo espírito das danças, comidas e bebidas típicas, com destaque para o quentão, a canjica doce e pipoca. 

FESTIVAL DE FÉRIAS – Esta festa ocorre, sempre, nas férias de julho e nasceu para ser momentos de confraternização de andrelandenses distantes. Sua essência era tipicamente cultural, com apresentações teatrais, musicais, literárias. Reunia a juventude em gincanas que visavam arrecadar alimentos, agasalhos e vestes para a população carente. Nas apresentações musicais, além de um festival de música, havia a apresentação de um show de renome, mas sempre voltado para a boa música, fosse roque, sertanejo ou MPB. Com o tempo, o festival mudou seu foco, ficando só a apresentação de shows, onde a Prefeitura terceirizava o parque de exposições para uma empresa vender os shows. Nos últimos dois anos, contudo, a Prefeitura preferiu apostar no retorno das raízes do festival.
 

EXPOSIÇÃO AGROPECUÁRIA – Ponto alto das festas de Andrelândia acontece em setembro, sempre na Semana da Pátria. Geralmente, inicia-se na quarta-feira e termina no domingo. Os shows da Exposição Agropecuária são sempre aqueles que estão em destaque na mídia e trazem para a cidade uma multidão que sempre beira a 20.000 pessoas. 

FESTAS DE FINAL DE ANO: NATAL: A cidade fica toda colorida e brilhante por enfeites feitos com material reciclado e as ruas muito iluminadas são palcos de passeios das famílias, encontros de amigos e brincadeiras das crianças.  

ANO NOVO: Reunião da população na Praça Gabriel Ribeiro Salgado para assistir a shows no dia 30 e 31 de dezembro. Destaque para a queima de fogos nos primeiros minutos do novo ano.



ANDRELÂNDIA, A CIDADE EM SI.

Quem chega a Andrelândia pela primeira vez repara em duas coisas: a estátua do Cristo Redentor no alto, contando do pedestal até a cabeça com mais de 10 metros e nas duas igrejas coloniais na mesma linha do Cristo. A cidade é composta por ruas largas, limpas e calçadas com blocos sextavados. Toda a extensão do centro é cortada por praças e jardins muito bem cuidados e chama a atenção os casarões coloniais. Do mirante do Cristo, podemos ver uma exuberante paisagem e, também, vislumbramos, contornando a Igreja Matriz, o desenho de uma barca como a confirmar a tradição da Padroeira: Nossa Senhora do Porto. Além das já tradicionais praças no centro da cidade, o visitante não pode deixar de ir à Praça da Estação ou Praça dos Expedicionários, um imenso espaço de lazer que guarda a história da ferrovia na região -inaugurada em 1914 - e dos soldados de Andrelândia que lutaram nos campos da Itália ao lado dos norte-americanos e contra os alemães.


SAUDE, EDUCAÇÃO, ESPORTE, CULTURA E SEGURANÇA.

O SISTEMA DE SAÚDE de Andrelândia é um dos mais bem equipados da região, servido por dois hospitais, SAMU e várias ambulâncias; A EDUCAÇÃO, até completar o Ensino Fundamental e Secundário, é de excelente qualidade com os alunos de Andrelândia sempre se destacando nas universidades federais e particulares. Vários cursos técnicos são, também, ministrados de forma gratuita nas escolas públicas. O ESPORTE de Andrelândia tem como espaço o Estádio Municipal (atualmente em reforma), um ginásio poliesportivo e várias outras quadras e campos espalhados pelas escolas. A CULTURA da cidade tem destaque na Banda de Música São Pio X que se apresenta por todo o Brasil, dando aulas de musicalidade; na FUNDAÇÃO GUAIRÁ, que engloba vários projetos, entre eles a música e a literatura; e nos seus escritores, vários deles com livros publicados e premiados.  E, enfim, a SEGURANÇA em Andrelândia é considerada uma das melhores do Brasil, colocando a cidade como uma das mais seguras do Estado de Minas Gerais.


Texto de Pedro Paulo de Oliveira.

Escritor, Estudante de Direito, Historiador, Palestrante, representante da Cabral e Oliveira e especialista em Poder Legislativo e Executivo.

 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

UM PAIS SEM HERÓIS, ONDE AS LEIS EXISTEM PARA POUCOS E A JUSTIÇA É SÓ UMA PALAVRA BONITA.

O povo brasileiro está desnorteado, perdido no limbo do amor pela sua pátria, na decepção por tanta roubalheira de políticos e numa identidade que parece não se afirmar perante o mundo. 



Tempos difíceis; os valores de hoje já não são mesmos de outrora; não existe mais respeito a nada; a moral e a ética se fazem pelos números da conta bancária; a beleza física prevalece acima de quaisquer outros valores; a polícia esta corrompida; os bandidos estão se alastrados como praga; os políticos, em sua maioria, são safados... Essas afirmações (conclusões) fazem parte das conversas do dia a dia  dos brasileiros que, estupefatos, não acreditam que o Brasil possa melhorar.  

A nação brasileira está dividida, dirão muitos incautos. Mas uma nação pode ser dividida? Como se forma uma nação? Uma nação poderia ser classificada como a reunião de pessoas que falam a mesma língua e têm o mesmos costumes e etnia, formando, assim, o que se designa por povo. Ora, então, uma nação não se divide, nem se anula. A nação existe sem qualquer substância legal e é a massa humana que a torna real e a faz lutar pelos seus interesses. Daí, deriva o nacionalismo, esse sentimento que une essas pessoas em torno de sentimentos comuns, como em casos de defesa do território, da cultura e dos interesses onde a nação se coloca. (quando torcemos e sofremos pela seleção brasileira jogando contra outros países, esse sentimento é o nacionalismo), mesmo que a seleção esteja jogando no campo e no país dos adversários e lá, também, estejamos.

Nos estados totalitários (mesmo nas ditaduras) essa questão de nação e nacionalismo é muito complexa, pois o sentimento é imposto através de ideologias e à base do medo. Já nos Estados Unidos o nacionalismo chega a ser exacerbado e tem uma explicação: A nação norte americana surgiu da "colonização" dos ingleses que queriam fazer daquele território uma segunda Inglaterra (Nova Inglaterra). Já o Brasil, ah, Brasil! Não houve aqui uma colonização pelos portugueses. O que houve a foi a exploração, da mesma forma que nos demais países da América Latina pela Espanha. Levaram nossas riquezas e criaram naqueles que aqui ficaram a cultura da corrupção, da força e da imposição do estado, e do poder nas mãos de poucos e a qualquer custo.

Assim, com essa cultura deturpada, foi se formando a nação Brasileira (?) No entanto, pela renitência dos nossos antepassados, ligados aos nossos exploradores, aqueles que se mostravam nacionalistas, eram alijados do sistema vigente. Só para ilustrar essa certeza, lembremos o fim da monarquia no Brasil. Sem entrar no mérito do governo de D. Pedro II que, embora sem autoridade, era um nacionalista e amava o Brasil acima de qualquer coisa, foi deposto pelo "primeiro golpe militar" da nossa história. Marechal Deodoro da Fonseca foi proclamado chefe da nação e um ano depois sucedeu-o Floriano Peixoto que implantou a "ditadura da espada". Daí em diante o Brasil teve várias constituições, feitas pela oligarquia e no interesse dos grupos governantes. Até 1984 poucos momentos da nossa história foi de completa democracia. Basta lembrar o último golpe militar em 1964: roubou-nos o nacionalismo e impôs o medo ao "povo" por mais de 20 anos.

A constituição mais longa da nossa história é a de 1988. No entanto, embora seja avançada, traz no seu bojo cláusulas que nem deveriam estar lá (tipo, colégio D. Pedro II...) ou foram retiradas cláusulas que defendiam os interesses dos cidadãos ( tipo, juros de 12% ao ano) por pressão dos bancos.  Esse período a que chamam de "redemocratização" (essa palavra foi enxertada em nosso vocabulário, pois um povo não se redemocratiza, um povo já nasce e é "democratizado" ao longo da sua existência), talvez tenha sido o mais longo, também, de liberdade que experimentamos. Chegamos aos 31 anos de liberdade, após o fim da ditadura militar. Desde então, experimentamos a aplicação das leis conforme a Constituição Federal e os códigos ( Código Civil, Código de Processo Penal, Código Tributário, Consolidação das Leis Trabalhistas e tantos outras legislações desrespeitadas durante as ditaduras).

A Constituição dos Estados Unidos é uma das mais curtas e antigas do mundo. No entanto, para a aplicação das leis, os tribunais usam os costumes. Um julgamento ocorrido no século passado serve de parâmetro para a decisão de uma corte em virtude de um novo julgamento. Em outros países, como a Inglaterra, a Constituição não é escrita. O que ocorre nesses países é que eles já passaram pela situação que o Brasil está passando atualmente: A Inglaterra, até o início da Revolução Industrial, era tomada pela corrupção e pela exploração de poucos sobre muitos; e o mesmo se dava nos demais países da Europa ou nos Estados Unidos. Já era para o Brasil ter extirpado a maior parte da banda podre da sua política e do seu empresariado. Mas é da cultura nacional esse apego ao ignóbil e ao abuso do poder. O Brasil foi o últmo páis do mundo a erradicar a escravidão e só o fez por pressão da Inglaterra.

Acostumamos a mentir para o mundo, querendo mostrar algo que não somos. Inventamos heróis. Se examinarmos, por exemplo, a história de Tiradentes (vide José Murilo de Carvalho) veremos que os militares, na ausência de heróis entre eles, pegaram emprestado Tiradentes que bem podia lembrar Jesus Cristo sendo imolado e segurando uma cruz. Tiradentes, na verdade, na Inconfidência Mineira, foi o personagem menos importante. Como Alferes, ele foi usado pelos comerciantes e intelectuais da época como ponte entre Minas Gerais e Rio de Janeiro. Outro exemplo é o de Fernão dias Paes, que tem uma rodovia em sua homenagem e representa a entrada da cidade de Pouso Alegre. Ele não passou de um cruel caçador de pedras preciosas que dizimava índios por onde passava.

No entanto, mentir nos tempos atuais, está muito difícil. Assim, não dá mais para inventar heróis. Tem câmeras de segurança para todo lado; celulares filmam, gravam e rastreiam tudo; as redes sociais estão dentro de todas as casas do país; e todo mundo pode viajar e conversar a vontade, seja virtualmente, seja nas praças, bares e casas.

Mas, nada que existe de avanço tecnológico parece ajudar o Brasil a melhorar. Sem referências (heróis ou líderes confiáveis), o povo deriva num mar revolto e escuro. O navio onde estão aqueles que podem salvar o Brasil está blindado pelas leis que os seus próprios tripulantes fizeram. O STF liberou toda a quadrilha de empreiteiros que quase aniquilou com a Petrobras e causou o maior roubo da nossa histórias e, talvez, do mundo. E a JUSTIÇA, a busca plena pelo homem de uma sociedade perfeita, segundo Aristóteles, não é, nunca, atingida.

Daqui a pouco vem as olimpíadas e a máxima romana: "Dê festa e pão ao povo"...)


Pedro Paulo de Oliveira
Especialista em História, Palestrante, Consultor Parlamentar e Executivo e Bacharelando de Direito pelo IPTAN.         

     

NAYRA E O CHAVELHO DE ESPINHOS NA FAIXA DE GAZA

" Esses pequeninos, cheios de sonhos, sonhos que embalam o mundo, distantes das       ambições e da crueldade dos homens e mulheres que...