domingo, 20 de maio de 2012

CARTA DO FÓRUM DAS ÁGUAS DE CAXAMBU


O que diferencia o ser humano dos demais animais não é a sua capacidade de destruir o meio ambiente à sua volta, fazer guerras, ser cruel, ambicioso, miserável, digno, ou dotado de amor. O que diferencia o ser humano de qualquer outro ser vivo é a sua capacidade de buscar formas que satisfaçam a sua curiosidade e de encontrar elementos capazes de transformar o meio em que vive, seja para o bem, seja para o mal. Nesse contexto de evolução do ser humano, o modelo de urbanização, ainda baseado na Revolução Industrial, não mais sustenta a lógica da vida. Estamos espremidos em ambientes de imensos conglomerados de cimentos, ferros, alumínios, vidros, borrachas, lâmpadas e máquinas de todas as espécies. 

Já nos foi dito que nas metrópoles, grandes e médias cidades e, até mesmo, em algumas pequenas cidades, o ser humano é denominado “animal urbano”. Será esse um termo correto para designar um ser que necessita intrinsecamente dos meios naturais para sobreviver? Será justo manter o ser humano aprisionado e entorpecido, desconhecendo seu próprio eu? No meio dos conglomerados urbanos o ser humano se insere às máquinas que ele próprio criou e, desesperado, procura espaços para desaguar suas emoções e instintos. Esses espaços nada mais são do que outras criações da “Revolução Industrial”, ou seja, os grandes shows assistidos por milhares, quando não, milhões de pessoas, marcados por produções fabulosas da tecnologia; clubes fechados e abertos, dependendo do poder econômico dos frequentadores; espaços de convivência nos shoppings (área de alimentação, salas de cinema, pequenos parques de diversões para crianças); e, por fim, as praias e praças superlotadas onde os grupos se fecham e desconhecem seus semelhantes, bem ao lado.

Se revisarmos a história, veremos que este atual modelo de urbanização sempre colocou o ser humano numa disputa inglória. Não podemos afirmar que o espaço urbano de hoje é melhor ou pior que o do início da “Revolução Industrial” ou lá dos tempos do Império Romano, ou mesmo da Grécia Antiga. A sociedade sempre foi dividida em camadas sociais: ricos, médios, pobres e miseráveis. Os meios usados para se chegar a ser rico nem sempre foram os mais bonitos, saudáveis ou justos. Desde os tempos do início da civilização, seres humanos enganam, matam e escravizam em nome do poder. Não há nada de novo nessa divisão urbana onde no Brasil o exemplo mais cruel é o das favelas. Logo depois da proclamação da Lei Áurea, as famílias de negros que deixaram as grandes fazendas, foram segregadas nas periferias das cidades. Essa segregação, nas grandes metrópoles, geraram as favelas, numa mistura de mestiços de índios e negros, na sua maioria filhos bastardos dos funcionários públicos, senhores de engenho, senhores do café e senhores do leite e da carne de boi. 

Muitos seres humanos, ao longo do tempo, sempre sonharam com um mundo mais justo, onde não houvesse fome e todos fossem tratados igualmente na busca das necessidades comuns à sua sobrevivência. Primeiro, foram as religiões, que nasceram do medo da morte e da necessidade de se adorar um ser superior, imortal. As religiões não resolveram e nunca vão resolver os problemas sociais da humanidade. Em nome de Deus muita atrocidade foi cometida e ainda continua a ser perpetrada pelo mundo. Depois, veio a filosofia pregando a igualdade, paraísos e criando regras (Platão, Aristóteles, Sófocles...). Já no Séc. XVIII deparamos-nos com a Revolução Francesa, que foi outro engodo. Ela matou seus próprios idealizadores (Danton e Robespierre). Logo a seguir, veio a Revolução Industrial, trazendo, com ressalvas, evolução para a humanidade. 

No Séc. XX uma luz surgiu através de um tratado poderoso que marcou gerações e prometia mudar o mundo pregando uma sociedade sem classes, baseada nas ideias de Karl Max. Numa mistura de conceitos comunistas, e variando para socialistas, ditaduras cruéis foram implantadas pelo mundo em nome de uma sociedade mais justa, prometendo acabar com as desigualdades sociais. Tudo, também não passou engodo e provou, mais uma vez que estava em jogo a ânsia do ser humano de ter poder, governar, mandar, ser superior. Os regimes comunistas/socialistas sucumbiram todos com os seus sonhos e os seus líderes entraram para a história como governantes cruéis. Paralelamente às ditaduras, governos déspotas e regimes socialistas/comunistas, os Estados Unidos da América, a Inglaterra, a França, a Alemanha, a Itália, a Espanha e o Japão se impuseram defendendo o capitalismo, baseado no modelo de Democracia. Esse modelo perdurou, ao longo do tempo, foi se adaptando a mini modelos (social democracia, neoliberalismo, socialismo liberal, etc.). Houve uma interrupção nesse processo pelas distorções causadas pelo Nazismo. Contudo, esse modelo, ainda vigente, pregado pelos Estados Unidos e pelo bloco da Europa, também se mostrou cruel, pois não minimizou as misérias humanas, as disputas bárbaras pelo poder e as desigualdades sociais. O que mais preocupa, no entanto, com relação ao futuro da humanidade, diante do atual modelo econômico, ainda sob a liderança dos Estados Unidos e do Bloco Europeu, é o fato desses países ditos desenvolvidos estarem em situação precária financeiramente e dependentes das economias dos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil. Existe uma clara dependência, desses países, de recursos naturais que eles não mais possuem: petróleo, ferro, madeira, água doce em abundância e território. O outro fato preponderante com relação a esses países é que eles estão endividados por conta da emissão de excesso de papéis no mercado financeiro do mundo. 

A discussão do FÓRUM DAS ÁGUAS tem que ser focada, em especial, em cinco pontos: 1 - A MINIMIZAÇÃO DAS DESIGUALDADES ATRAVÉS DE AÇÕES SOCIAIS (RESPONSABILIDADE SOCIAL) DAS EMPRESAS E DO PODER PÚBLICO; 2 – A DEFESA DAS RESERVAS NATURAIS BRASILEIRAS, EM ESPECIAL DOS NOSSOS LENÇÓIS DE ÁGUA DOCE (O FÓRUM DEFENDERÁ AS ÁGUAS DO ALTO RIO GRANDE E OS LENÇÓIS SUBTERRÂNEOS DO CIRCUITO DAS ÁGUAS); 3 – A EDUCAÇÃO E A CULTURA COMO MEIOS DE SE SAIR DA MISÉRIA – PROPOSTAS CONCRETAS; 4 – A MULHER COMO MODELO DE UM NOVO PARADIGMA SOCIAL; 5 – E A REINVENÇÃO DO ESPAÇO URBANO NAS IDEIAS DE JORGE LUIZ BARBOSA. A CARTA DAS ÁGUAS não deverá ser um documento pré-determinado, mas um documento CONTUNDENTE a ser composto a partir das discussões do FÓRUM BRASILEIRO DE POLÍTICAS PÚBLICAS DE CAXAMBU. 

Pedro Paullo de Oliveira.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

CORAGEM, MEDO, COVARDIA E EXÍLIO

Marcelo Freixo, deputado estadual pelo PSOL do Estado do Rio de Janeiro, parece ser a bola da vez do crime organizado do seu estado. Ele presidiu a CPI das Milícias, em 2008 e, com muita coragem, levou-a até o final, não se intimidando com as ameaças e pressões sofridas. A CPI indiciou 225 pessoas entre policiais civis e militares, bombeiros e políticos.

Agora, contudo, diante da continuação do seu trabalho para salvar a população dos tentáculos de milicianos (diga-se policiais, ex-policiais, vereadores, assessores parlamentares, etc.) vê-se na mesma situação em que a Juíza Patrícia Acioli se encontrava antes de ser assassinada com mais de 15 tiros. Ele já recebeu diversas ameaças comprovadas de morte. O estado, contudo, mesmo sendo comunicado dessas ameaças que ele vem sucessivamente sofrendo, mostra-se inoperante para protegê-lo e à sua família. Assim, a Anistia Internacional se manifestou e ofereceu-lhe segurança no exterior.

Ora, parece que estamos voltando aos tempos da Ditadura Militar, quando compatriotas precisaram fugir para o exterior e pedir asilo em outros países para conseguir ficar vivos. Foi assim durante mais de 20 anos, de 1964 até as vésperas de 1985. Naquele tempo era o poder do estado que torturava e assassinava. Hoje, um poder negro, paralelo à nossa democracia e à liberdade dos cidadãos, está impondo o medo, o terror e a morte. O estado, munido de uma constituição democrática, mas corrompido nas suas bases, não consegue contrapor-se completamente a esse poder negro. Na maioria das vezes, esse estado, inoperante que é, faz de conta que está perpetrando algo, nada faz e acontece o que aconteceu com a Juíza Patrícia Acióli.

Marcelo Freixo e a sua família vão deixar o país rumo à outra nação onde viverão no anonimato para terem segurança. Considero que eles estão sendo exilados e da forma mais cruel possível. É inimaginável o sentimento dessa família ao deixar sua terra natal, seu país, rumo ao desconhecido por que um monte de bandidos os estão expulsando.

Eu sempre digo que a dor alheia só nos atinge quando faz jorrar o nosso sangue, quando olhamos ao redor e vemos nossos entes amados sofrendo as agruras de um sistema falho, corrupto e acovardado diante dos bandidos. Nesse instante, acordamos do torpor do dia a dia e gritamos ao mundo que estamos sofrendo. Contudo, o que precisamos fazer é nos unirmos para derrubar o poder dos bandidos, aqueles que destroem os nossos filhos com as drogas, obrigam-nos a construir grades imensas em nossas casas e não nos deixam andar em paz pelas ruas.

Pagamos para ter saúde, educação, lazer e segurança. Pagamos caro. Trabalhamos e pagamos para a Polícia Militar e Civil, para todo o Poder Judiciário e o Ministério Público e, infelizmente, para toda a classe política do Brasil.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

OS HERÓIS ESTÃO MORTOS




Cresci acreditando em muitos heróis. Ensinaram-me nas escolas que Tiradentes era o símbolo da independência do Brasil – Liberdade ainda que tardia – O tempo passou e hoje sei que ele foi um personagem que, ao lado de homens que enriqueciam roubando da Coroa Portuguesa e nada faziam pelo povo oprimido e miserável, Tiradentes também fez fortuna e deixou seus herdeiros muito bem aquinhoados de bens. Quantos aos demais inconfidentes, foram homens que defendiam seus interesses econômicos e que queriam se livrar de Portugal para ficarem ainda mais ricos.

Sinto-me frustrado, pois descubro, na minha idade adulta, que os bandeirantes não passavam de homens cruéis, assassinos de índios, estupradores de índias, ladrões das riquezas das tribos indígenas e mercenários sem escrúpulos. Concluo que os jesuítas não passavam de agentes a serviço da coroa portuguesa e do enriquecimento da Igreja Católica; não respeitavam a cultura indígena; e muito menos tentavam salvar os índios da extinção. Descubro, infeliz, que D. Pedro I não passava de um fanfarrão, obediente aos interesses da aristocracia do Brasil Império, viciado em prostitutas e que morreu de sífilis por conta disso. D. Pedro I, aliás, nunca gritou “Independência ou Morte”. Deveriam parar de ensinar isso nas escolas.

Depois, vem um Duque de Caxias cantado em prosa, versos e telas de pintores, empunhando sua espada em batalhas memoráveis. Liderou o exército brasileiro na Guerra do Paraguai. Contudo ai de nós se não fosse a ajuda da Argentina e do Uruguai. Foi uma covardia o cerco a Solano Lopes, pois o que se estava em jogo era a destruição da mais poderosa e independente nação da América Latina a mando da Inglaterra. Paraguai era, na época, um exemplo que não poderia ser seguido. Assim, a Inglaterra armou a Tríplice Aliança para destruí-lo.

E os heróis da República? Vejo um Marechal Deodoro da Fonseca proclamando uma república para defender os interesses da Inglaterra e dos Estados Unidos, o exército sufocando impiedosamente qualquer resistência ao novo regime, D. Pedro II sendo julgado sumariamente e expulso do país de forma humilhante.

E Tiradentes? Não passou de um lacaio nas mãos dos inconfidentes. Foi escolhido para servir de exemplo do poder e da crueldade da Coroa Portuguesa que sugava o Brasil e destruía nossas riquezas naturais vendendo-as por ninharias aos ingleses. Seu enforcamento não foi visto por quase ninguém e o seu esquartejamento foi algo tétrico: espalharam seus pedaços pelas estradas que saiam de Vila Rica. Muitos anos mais tarde, o novo regime imposto aos brasileiros, a república de mentira, cópia mal feita dos Estados Unidos, precisava de um herói e foi escolhido o quase esquecido Tiradentes.


É... Parece que os meus heróis estão todos mortos. Quanto mais eu pesquiso, quanto mais eu estudo, mais eu descubro que tentaram incutir-me falsos heróis, grandes homens, defensores da liberdade e da justiça que nunca existiram.


PEDRO PAULO DE OLIVEIRA

sábado, 22 de outubro de 2011

ENFIM, KADHAFI MORTO, UM ALÍVIO PARA QUEM?

Tenho tentado compreender e sintetizar na minha mente como ocorreram as mortes de Muamar kadhafi e do seu filho Muatasim. Li as explicações do líder dos rebeldes líbios, Omran el Oweib, um engenheiro elétrico que se tornou militar e afirmou ser ele o responsável. Ele assegurou, na sua declaração, que kadhafi estava escondido em uma galeria de esgoto e foi arrastado de lá pelos rebeldes enfurecidos. Disse que pediu aos soldados que não o matassem. Contudo – declarou - Kadhafi já estava ferido, caminhou dez passos e caiu. Daí em diante, continuou a falar o líder rebelde, nada pôde fazer pela vida do ex-ditador, mas ainda tentou salvá-lo levando-o para um hospital.

Os próprios soldados rebeldes filmaram a carnificina e espalharam as imagens pelo mundo através do twitter. O que se viu foi um show de horror ao bom estilo dos filmes da saga de sexta feira 13, como se mostrar ao mundo cenas dessa ordem fosse contribuir realmente para a democracia. Repito o que já disse anteriormente: a forma como estão sendo conduzidas as revoluções no norte da África e nos demais países do Oriente Médio lembra a Revolução Francesa no seu pior período; lembram, ainda, a instalação do comunismo na Rússia e nos demais países do mundo. Foi uma crueldade e uma carnificina geral.

Que foram os rebeldes líbios que mataram o ex-ditador líbio e seu filho na última quinta-feira não resta nenhuma dúvida. O que me pergunto é como ocorreram essas mortes e até onde eles, os rebeldes, esconderão a verdade.

Os corpos de Muamar Kadhafi e do seu filho Muatasim ainda estão aguardando as decisões sobre como serão enterrados e apodrecem em um contêiner. As pessoas fazem filas para vê-los, tapam os narizes e gritam; ”Deus é grande!”
Diante das últimas declarações do ex-premiê espanhol, até que a morte de Kadhafi foi um alívio para muita gente, gente grande, líderes poderosos. O ex-premiê andou falando que o ex-ditador era extravagante, mas era um “bom amigo”. Essa frase, vinda de um ex-líder europeu, soou dolorida aos ouvidos de toda a Europa e aos Estados Unidos. Assim, melhor que ele tenha morrido que a dar explicações em um tribunal onde, certamente, relembraria os bons tempos, nem tão distantes, dos acordos com a França, com a Espanha, com a Inglaterra e, principalmente, com os Estados Unidos.

Obama, ruim nas pesquisas pela derrocada da economia norte americana, adiantou-se, hoje, em reafirmar o papel libertador dos Estados Unidos, além de ser a nação defensora da democracia e o país mais poderoso do mundo. Disse, ainda, que, sob seu governo, foi eliminado Osama Bin Laden e Muamar kadhafi, o povo líbio foi libertado e os soldados do seu país deixarão o Iraque em breve. Duvido que essas declarações melhorem a imagem do primeiro presidente negro dos Estados Unidos.
Agora, que esses líderes europeus e a Casa Branca estão se lixando para os povos desses países em estado de convulsão social e guerra civil, é a pura verdade. Só tomam atitudes, como mandar suas forças armadas para essas regiões, quando estão em jogo seus interesses naquelas regiões. Por que não bombardeiam, também, o palácio do governo da Síria, quando estão ocorrendo fatos semelhantes naquele país aos que ocorreram no início da revolução na Líbia? Outros países da África passam pelo mesmo processo e estão esquecidos por esses líderes, além de ostentarem um multidão de miseráveis passando fome.

O que estamos assistindo, além, é claro, das imagens horrendas de Muamar Kadhafi morto, é o início de uma nova ordem mundial e é bom que prestemos atenção. Nessa ordem os meios usados para se estabelecer e derrubar governos serão sutilmente espalhados através das redes sociais. Depois, se necessário for, homens e mulheres, repetindo ações perpetradas pela humanidade em todas as revoluções, farão o resto empunhando armas.

Essas revoluções costumam funcionar com síndromes. Elas vão se espalhando num crescendo, criando novos pensamentos, novas ordens. De um país passam para outro e para outro e vão derrubando governos que até então se achavam intocáveis e infalíveis. Vamos esperar para ver no que vai dar tudo isso. Por aqui, no Brasil, a única revolução que estamos precisando fazer é para exterminar a corrupção enraizada como praga, como erva daninha em todos os meios de governo. Para isso temos as REDES SOCIAIS.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

CARNIFICINA A LA KADHAFI

Quem conseguir acessar os vários vídeos postados na internet de ontem para hoje mostrando a captura, os atos de violência e o assassinato de Muamar Kadhafi vai compreender o valor da vida humana, a pequinês do ser humano e que todos somos, na grande maioria, animais sádicos. Foi algo estarrecedor a forma como Kadhafi foi capturado, inicialmente com dois tiros nas pernas; depois, foi arrastado, com sangue jorrando para todos os lados, por uma multidão insana que gritava "Deus Existe"; logo a seguir, entre gritos desconexos, ele foi torturado e executado. Mais tarde, ele e seu filho, ambos mortos, foram apresentados ao mundo como troféus. As Câmeras fcalizaram, enfim, o ditador morto.

Disso tudo é preciso tirar uma reflexão muito séria. Esses atos mundo afora estão a lembrar a carnificina promovida pela Revolução Francesa, inclusive, guilhotinando seus principais líderes, além de toda a corte, incluindo os filhos, ainda crianças, do monarca. Lembram, ainda, vagando pela história, as atrocidades promovidas por Lenin e Stalin no início do regime comunista na Rússia em nome de uma sociedade mais justa e igualitária e tudo não passou de uma balela, pois a maioria do povo continuou na miserabilidade. Mesmo assim, depois, em nome disso tudo, formaram a poderosa a União Soviética ao custo de invasões e guerras com os países vizinhos. Esses atos atuais lembram a queda do Regime fascista na Itália, com a execução de Mussolini e de todos quanto o apoiavam. A reflexão deve pousar sobre quem está promovendo todas essas ditas "REVOLUÇÕES" e as razões por trás de tudo isso. A multidão insana, a exemplo de outros tempos, promoveu atos atrozes. Mas, no final das contas, ela será relevada mais uma vez, colocada no seu devido lugar e alguém e alguns se beneficiarão da queda e morte de Muamar Kadhafi. os líderes do Ocidente já se adiantaram em elogiar a morte do ditador da Líbia, dizendo que chegou ao fim um regime cruel de mais de 40 anos. Contudo, eles não citam que por mais de 30 anos a maioria deles apoiou o ditador cruel. Ainda durante o ano de 2010, Muamar Kadhafi desfilou livremente por Roma.

Ora, os grandes chefes que apoiavam Kadhafi de repente viraram-lhe a costas. Sarkozy, o Presidente pop da França, casado com a bela modelo, logo que sentiu os ventos desfavoráveis ao ditador da Líbia, se adiantou e exigiu que a OTAN assumisse os ataques aéreos na guerra contra Kadhafi. Chegou a ameaçar um ataque da França, mesmo sem o apoio da OTAN, caso ela não assumisse o comando internacional dos bombardeios. Ao mesmo tempo, José Maria Aznar, ex-premier da Espanha, num discurso feito para estudantes da Universidade de Nova Yorque, criticou os ataques aéreos à Líbia por parte da OTAN e afirmou: “Kadhafi apoiou a luta do Ocidente contra o terrorismo. Kadhafi é um amigo extravagante, mas ele é um amigo”. Aznar, que governou a Espanha de 1996 a 2004, com essas palavra, sintetizou bem a situação na Líbia. O ditador cruel, chamado Muamar Kadhafi, serviu bem aos interesses das poderosas (hoje nem tanto) nações a Europa por, aproximadamente, 40 anos.

Ora, os grandes países da Europa e os Estados Unidos, mais uma vez criaram um monstro (como na estória do Médico e o Monstro) e, não mais conseguindo controlá-lo, trataram de eliminá-lo. Indubitável conclusão!

Muamar Kadhafi acabou de ser vítima do seu próprio veneno. Foi cruel e implacável durante mais de 40 anos, exibindo força, poder e esperteza nas suas negociações. Mandou executar, sem piedade, seus opositores e ensinou seus filhos a serem como ele. Sua prole pagou da mesma forma e foi cruelmente exterminada pela multidão desvairada, violenta e incentivada pelas grandes e poderosas nações.

O primeiro Ministro da França disse, hoje, que o povo líbio está de parabéns, merece respeito e saberá se reerguer, pois tem potencial para isso. Que assim seja e que o exemplo do Iraque e do Afeganistão não se repita na Líbia. Acima de tudo que as imagens de carnificina espalhadas pelo mundo e promovidas pelos rebeldes líbios não sirvam de exemplo a outros povos e nem incentive, ainda mais, as nações do Ocidente a promoverem guerras insanas pelo mundo para defender apenas seus interesses.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A MORTE E AS MORTES DE MUAMAR KHADAFI E O NOVO TEMPO QUE SE INICIA.

Muamar Khadafi assumiu o poder na Líbia em 1969 com apena 27 anos de idade através de um golpe militar (de golpes militares o Brasil entende bem e sofreu com um por mais de 20 anos no mesmo periodo). Era uma época atípica no mundo, onde imperava a Guerra Fria e Muamar Khadafi soube se aproveitar dessa situação e se impor diante dos países, especialmente com o dinheiro produzido pelo petróleo. Aceitou o apoio de várias nações do Ocidente. Ao mesmo tempo, financiou o terrorismo e impôs ao seu povo uma ditadura que gerou riquezas e misérias.

Muamar Khadafi não foi diferente de nenhum grande ditador. Nem foi diferente dos Generais Médici e Geisel do Brasil(os dois mais crueis comandantes da Ditadura Militar Brasileira). Por 40 anos, Muamar Khadafi se manteve no poder impondo um regime cruel e de exceção ao seu povo. Apoiou ataques terroristas em massa contra Israel e Arábia Saudita. Era tido como um pária pelos Estados Unidos tendo em vista seus métodos pouco convencionais de praticar política e se impor no poder. Contudo, os Estados Unidos, no mesmo período vivia em cheque por uma guerra malfadada contra o Vietname e o apoio a ditaduras crueis em países da África e da América Latina, em especial, no Brasil, no Chile e na Argentina. Na verdade os Estados Unidos estava - como está até hoje - acendendo uma vela para Deus e outra para o diabo. Da mesma forma, agiam outros países do Ocidente, entre eles a Inglaterra, a França, a Espanha e a Itália.

Ora, o petróleo ainda é o combustível do mundo e a Líbia está entre os maiores produtores mundiais, ao lado da Arábia Saudita, Iraque, Síria e outros pequenos países do Oriente. Falar que o ouro negro é uma das razões de todo esse imbróglio é explorar um assunto por demais discutido e provado. Assim, o petróleo está na linha de frente das razões que estão levando às quedas do ditadores árabes.

A forma como se iniciam essas revoluções que culminam na derrocada de impérios e ditaduras, é que mudou. Graças aos gênios criadores do Facebook, messenger e, principalmente, a Steve Jobs, essas revoluções se iniciam através das chamadas "REDES SOCIAIS". Mas, onde será que elas começam? Esta é uma boa pergunta. Tenho a minha opinião formada e afirmo que elas começam nos Estados Unidos, em algum lugar do Pentágono ou da Casa Branca. Assim, tem sido muito mais barato derrubar um governo que não mais atende aos interesses da América do Norte.

Afinal, também, esses países (E.U., Inglaterra, França, Espanha, Itália, etc.)estão pagando um alto preço por explorar e financiar os países do terceiro mundo, como eles passaram a designá-los. Suas economias, dependentes de capitais voláteis, nas mãos de banqueiros e especuladores, foram implodidas, o que, por incrível que pareça, beneficiou países como o Brasil, a China, a Índia, o Chile e, ate mesmo, a Venezuela do amaldiçoado Hugo Chaves ( que já não é mais um problema para os Estados Unidos, pois está com pouco meses de vida pela frente).

A "Revolução através das Redes Sociais se impôs e, através dela, caiu uma ditadura no Egito (mas parece que o tiro saiu pela culatra, pois os militares de lá, que tomaram o poder, estão meio esquisitos e já andam rompendo com os vizinhos apoiadores das potências mundiais). Através das redes sociais caíram, também, outros governos ditadores árabes e está por cair o governo da Síria. Se os resultados que o Ocidente espera dessas quedas será o esperado, só o tempo dirá. Eu, pessoalmente, não acredito em um resultado favorável a eles e o exemplo está muito claro no Iraque e no Afeganistão onde a pobreza aumentou e a guerra civil continua.

Muamar Khadafi está morto. Foi, depois de caçado como um cão raivoso, abatido de forma humilhante, enfiado em um buraco, tal como Saddam Russem. Segundo seu algoz, um jovem das forças rebeldes da Líbia, ele pediu para não se morto. Ma o trofeu não era levá-lo vivo. Foi morto com dois tiros nas pernas e outros na cabeça. Não há que se discutir a sua morte ou a forma como ela foi executada e se foi ordenada. Nas revoluções morrem gente dos dois lados e Muamar Khadafi, no momento, para o seu povo era o pária, o carrasco e o demônio a ser exterminado. O que o mundo precisa saber, a partir de agora, é se o povo da Líbia continuará a ter o apoio dos Estados Unidos e dos seus "países amigos", todos quebrados financeiramente.

Enfim, os Muamar Khadafi árabes, que nasceram sob os auspícios dos países que hoje os derrubam, estão se extinguindo e, em sua maioria, sendo mortos. É o sintoma de um novo tempo? Claro que sim. Mas, que tempo será esse, não pensem os Estados Unidos e os seus amigos que serão os mesmo daqueles em eles davam todas as ordens e todo o mundo obedecia. Esse novo tempo ainda é uma incógnita. Contudo, países como o Brasil, a China e Índia terão um papel preponderante nesse "NOVO TEMPO".

quinta-feira, 14 de julho de 2011

HOJE É O DIA MUNDIAL DO ROCK

O ano, creio, era 1978. Se não foi esse ano, contudo, pouco importa. O que vale foi o que presenciei naquela época, e tem tudo a ver com o dia de hoje. Eu e muitos dos meus amigos moravámos em Volta Redonda. Estávamos na primavera, disso eu me lembro por que as árvores da vila Santa Cecília estavam todas floridas e o clima ainda era ameno. Uma fila imensa havia se formado em volta do Teatro Gacemss para o grande show daquela noite. Raul Seixas era a principal atração, precedido por ninguém menos que Juca Chaves.

Quando vimos, na fila, Raul Seixas chegando num veículo imenso – creio que era um Dodge Dart – todo paramentado e dele foi retirado com a ajuda de dois seguranças que o carregaram para dentro do teatro, senti uma imensa frustração. Acreditei que ele não agüentaria fazer seu show. Todos, na fila, se revoltaram com a cena que assistiram e alguns até vaiaram. Mesmo assim teimamos, compramos o ingresso e entramos no teatro para ver no que ia dar aquela noite.

Havia uma tensão reinante no interior do teatro, um clima de revolta das pessoas na expectativa dos shows de Juca e Raul. Mas a estrela principal era o Raul. Era incontestável o culto que a nossa geração nutria por Raul Seixas. Sabíamos que a bebida e a droga o estavam consumindo. Mas as suas músicas eram hinos para toda a juventude daquela época.

Juca Chaves entrou, descalço, cabelos desalinhados, escrachado e falando palavrões. Cantou, com maestria, a Cúmplice e desceu o pau na Ditadura Militar. No meio do seu show, a polícia do Exército invadiu o palco e o levou preso. Muitos outros jovens também foram presos ao se revoltarem com a prisão do Juca. O Teatro se transformou num barril de pólvora até que, inesperadamente, alguém, no palco, anunciou a entrada de Raul Seixas.

Lembro-me que as luzes do palco foram apagadas e assim ficaram por mais de três minutos, até que, em meio à fumaça e luzes coloridas surgiu, pequenino, magro e vestido com roupas da Tropicália, Raul Seixas triunfante e calando todos nós que duvidávamos que ele pudesse fazer aquele show como esperávamos. Fez uma grande apresentação, cantando, tocando sua guitarra e dançando como se estivesse em transe. No fundo, todos desconfiávamos que algum incomum havia sido feito para que ele conseguisse toda aquela energia. Mas o que nos importava era a apresentação do nosso Rei do Rock.

Nunca mais esquecerei aquela noite de primavera em Volta Redonda. Tenho plena certeza que, da mesma forma, todos que estavam lá no Teatro Gacemss, também não esquecerão a apresentação grandiosa de Raul.

O Rock, assim como a MPB, era as formas de expressão musical que nós tínhamos para catalisar nossas emoções e frustrações com a falta de liberdade imposta pela Ditadura Militar ou mesmo pela enxurrada de porcarias que nos era imposta nas escolas e nas ruas por ordem dos governantes. Assim, o Rock transformou o mundo na voz e no gingado de Elvis Presley, na irreverência dos Beatles e dos Rowling Stones e na guitarra de Jimi Hendrix; depois, veio Queen, com o inesquecível Fred Mercury e tantas outras bandas que marcaram as gerações dos anos setenta e oitenta; no Brasil, Legião Urbana, Engenheiros do Havaí, Titãs e tantas outras bandas fizeram a cabeça da nossa juventude.

Como não reverenciar o ROCK neste e em todos os dias das nossas vidas? Parabéns ao ROCK que explodiu pelo mundo afora graças aos meninos de Liverpool que, a partir de 1960, se tornaram o maior fenômeno musical da história da música universal e a Elvis Presley que, sem nunca ter saído dos Estados Unidos, foi aclamado como o Rei do Rock.
No Brasil, podemos e devemos aclamar nomes como o de Renato Russo e tantos outros. Mas, sem sombra de dúvida, o maior nome do Rock brasileiro será, sempre, RAUL SEIXAS.

NAYRA E O CHAVELHO DE ESPINHOS NA FAIXA DE GAZA

" Esses pequeninos, cheios de sonhos, sonhos que embalam o mundo, distantes das       ambições e da crueldade dos homens e mulheres que...