terça-feira, 15 de outubro de 2013

A MORTE DE JOÃO PAULO I, O PAPA SORRISO E O PODER DO CARDEAL RATZINGER - O PAPA BENTO XVI





A eleição havia terminado e a fumaça subia pela chaminé. O novo Papa estava escolhido e, para surpresa dos radicais e conservadores da Igreja Católica, o novo Papa era o humilde e sereno Albino Luciane, um homem que jamais havia almejado ser papa, confessor de homens poderoso e extremamente rígido com as causas sociais.

A princípio, atônito, Luciane teria declinado de aceitar o pontificado. No entanto, fora persuadido do contrário pelo cardeal holandês Johan Willebrands que, sentado a seu lado na Capela Sistina, teria lhe dito: "Coragem! O Senhor dá o fardo, mas também a força para carregá-lo"!

Aquele instante de surpresa prenunciava, contudo, uma tragédia: o pontificado homem humilde e especial haveria de ser curto, marcado pela morte e pelo mistério. Um mês após ser entronado Albino Luciane - João Paulo I – o Papa Sorriso - estava morto em condições que, talvez, nunca sejam esclarecidas.

Um dos inúmeros boatos surgidos após a morte de João Paulo I diz que seu pontificado entrara em choque com ideias e interesses da Opus Dei. Durante o funeral, foram ouvidos fiéis aturdidos, que diziam: "Quem fez isso com você?", "Quem o assassinou?", já desconfiando de que a morte do Papa Sorriso não decorrera de causas naturais.


O jornalista britânico David Yallop publicou em 1984, após longa pesquisa, a obra Em nome de Deus (In God's Name), na qual oferece pistas sobre uma possível conspiração para matar João Paulo I. A dar-se crédito às fontes de Yallop (que incluem inúmeros clérigos e habitantes da cidade do Vaticano), João Paulo I esboçara, no início de seu breve pontificado, uma investigação sobre supostos esquemas de corrupção no IOR (Istituto di Opere Religiose, vulgo Banco do Vaticano). Logo após eleger-se papa, ele foi colocado a par de inúmeras irregularidades no Banco Ambrosiano, então comandado por Roberto Calvi, conhecido pela alcunha de "Banqueiro de Deus" por suas íntimas relações com o IOR (o corpo de Calvi apareceu enforcado numa ponte em Londres, quatro anos depois, por envolvimento com a Máfia).
Entre os envolvidos no esquema de Calvi, estaria o então secretário de Estado do Vaticano e Camerlengo, cardeal Jean Villot, o mafioso siciliano Michele Sindona, o cardeal norte-americano John Cody, na época chefe da arquidiocese de Chicago e o bispo Paul Marcinkus, então presidente do Banco do Vaticano. As nebulosas movimentações financeiras destes não passaram despercebidas pelo Papa Sorriso. Sem falar em supostos membros da loja maçônica P2, como Licio Gelli (vale lembrar que pertencer a essa comunidade secreta sempre foi e ainda é considerado motivo de excomunhão pela Igreja Católica).

A Cúria Romana como um todo rechaçou o perfil humilde e reformista de João Paulo I. Diversos episódios no livro corroborariam essa tendência: o Papa Sorriso sempre repudiou dogmas, ostentação, luxo e formalidades; para ficar num exemplo, ele detestava a sedia gestatória, a liteira papal (argumentando que, por mais que fosse o chefe espiritual de quase um bilhão de católicos, não se sentia importante a ponto de ser carregado nos ombros de pessoas). Após muita insistência curial, ele passou a usá-la.
Seria, no entanto, importante referir que, quando o Cardeal Luciane ascendeu a Papa, o seu estado de saúde encontrava-se já bastante deteriorado.


Segundo Yallop, em 29 de setembro de 1978, João Paulo I anunciaria a remoção de Marcinkus, Cody, Villot e alguns de seus asseclas – o que poderia deixá-los à mercê de processos criminais. Mas Sua Santidade não acordou para levar a cabo as excomunhões: diz-se que teria sido encontrado pela freira Vincenza, que o servia havia 18 anos e que sempre lhe deixava o café todas as manhãs. Naquele fatídico dia, no entanto, ela ficara espantada com o fato de o Papa não ter respondido ao seu Buongiorno, Santo Padre (Bom-dia, Santo Pai); desde os tempos de padre em Veneza, ele nunca dormira além do horário. Notando uma luz acesa por trás da porta, ela entrou nos aposentos do Papa e encontrou-o de pijama, morto, com expressão agonizante, na cama.

Numa ação rápida, assim que os gritos da freira ecoaram pelo palácio, os pertences pessoais do Papa foram, de imediato, removido por Villot que surgiu do nada, como uma assombração. Entre eles, as sandálias do papa. No livro, é defendida a hipótese de que as sandálias estariam manchadas com vômito – um suposto sintoma de envenenamento.

Yallop cita a digitalina (veneno extraído da planta com o mesmo nome) como a droga usada para pôr fim ao pontificado de João Paulo I. Essa toxina demora algumas horas para fazer efeito; Yallop defende que uma dose mínima de digitalina, acrescentada à comida ou à bebida do papa, passaria despercebida e seria suficiente para levá-lo ao óbito. E, para o autor de “Em Nome de Deus”, teria sido muito fácil, para alguém que conhecesse os acessos à cidade do Vaticano, penetrar nos aposentos papais e cometer um crime dessa natureza.

Resta-nos a compreensão de que os interesses daqueles que detêm o cetro do poder religioso não mudaram em nada: conjuram, mentem, roubam e matam.

a prova maior dessa teia pegajosa enredada em volta da Igreja Católica está nos últimos acontecimentos que marcaram a renúncia do Papa Bento XVI. Bento XVI à época da morte de João Paulo I era o Cardeal Ratzinger, um dos homens mais importantes da Igreja Católica, presidindo nada mais e nada menos que a poderosa Congregação Para a Doutrina da Fé. Foi dele o trabalho e os bastidores que elegeram Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II. Depois da morte de João Paulo II, ele se tornou papa. Depois de um pontificado marcado pelo radicalismo, declarações polêmicas, escândalos de proteção a padres pedófilos e corrupção financeira em todas as autarquias do Vaticano, ele renunciou, em minha opinião, num golpe de mestre e, mais uma vez, elegeu um papa, segundo seus preceitos.

A renúncia de Bento XVI foi mais um golpe político nos seus adversários do que simplesmente um ato de humildade. Ele se viu enfraquecido física e mentalmente. Viu a morte se aproximando e percebeu que, morto, não poderia conduzir, com garantia, a sua sucessão. Assim, avisou que deixaria o pontificado e, ao estilo de Maquiavel, conduziu com maestria a sua sucessão. Deixou que o mundo especulasse e os cardeais conjurassem. No entanto, já estava decidido, entre os seus fiéis seguidores, quem seria o novo papa: Jorge Mário Bergoglio, que se autodenominou Papa Francisco ou Francisco I.

O novo papa, é um fiel seguidor dos preceitos de Bento XVI desde os tempos da Congregação Para a Doutrina da Fé e o Cardeal Ratzinger tem plena consciência disso. Na sua casa de repouso ele curte seus últimos dias sabendo que a sua influência sobre a Igreja Católica, que se iniciou logo após o Concílio Vaticano II, ainda perdurará por muitos anos.

Mas o que tem a ver a influência do Cardeal Ratzinger com a morte de João Paulo I? Talvez a resposta para o mistério que envolve, até hoje, essa morte, esteja na casa de repouso onde descansa Bento XVI, no brilho dos seus olhos fundos e nos seus gestos cadenciados.


Por que a Igreja Católica faz questão de esquecer esse papa ao mesmo tempo em que santifica João Paulo II? Somente em raras ocasiões o Cardeal Ratzinger falou de Albino Luciane como membro da Cúria Romana, como servo de Deus e como o Papa João Paulo I. Pelo contrário, sempre quis ofuscar a sua imagem com o brilho do seu sucessor. O Servo humilde de Deus, o Papa Sorriso, o homem que teve coragem de enfrentar a máfia do Vaticano, parece fadado ao esquecimento. Essa máfia, hoje, não novidade para ninguém, pois foi denunciada pelo próprio Bento XVI antes de renunciar ao trono e entronar Francisco.


Texto de Pedro Paulo de Oliveira
Revisado em 15 de outubro de 2013.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

TOLERÂNCIA E PERMISSIVIDADE.




Acaso alguém tem alguma dúvida de que o ser humano é um primata bípede e dotado de faculdades que o torna superior aos seus semelhantes que coabitam a face do planeta terra? Não. Ninguém pode ter dúvidas de que o ser humano se diferencia bastante dos cangurus e dos gorilas, pelo simples fato de que aprendeu a modificar o meio em que vive através de ações da sua mente. As civilizações, construídas e espalhadas pela terra ao longo do tempo pelos seres humanos, se basearam todas na transformação do meio ambiente. Os seres humanos, diferentes dos demais animais, aprenderam a transformar a matéria e criaram as cidades e tudo que nelas se insere.

Como qualquer animal, o ser humano é dotado de instinto de sobrevivência, bem como de outros instintos. Desde a sua concepção no útero materno, o ser humano passa a lutar para viver como qualquer outro ser vivo, com a diferença de que tem consciência da vida e da morte.

Observem a formiga: ela não sabe que pode ser pisoteada e exterminada no seu próprio habitat. No entanto, ao se ver diante da morte, ela recua, foge e procura um abrigo onde possa se esconder do fim iminente da sua caminhada. Parece nada a morte de uma formiga. No entanto, o princípio é o mesmo: concepção, existência e fenecimento.

Ao destacar o bipedismo do ser humano, fica clara a sua diferença no reino animal. Andar sobre duas patas, no caso, sobre dois pés, tem sido uma árdua tarefa para a humanidade que prefere inventar meios de locomoção que a leve rapidamente a outros lugares da terra e do espaço sideral, na sua ânsia pela aventura e em descobrir novos lugares, desbravar o desconhecido e conquistar novas civilizações. Por isso, os seres humanos pensam. “Penso, logo existo”. Esta afirmação é de René Descartes que, após duvidar da sua própria existência, entendeu-se vivo após ter consciência do seu pensamento.



O ser humano é tão complexo na sua minúscula e grandiosa diferença com os demais seres do reino animal, que destrói seu próprio meio e é capaz de matar seus semelhantes para conseguir realizar seus desejos. Aonde vai dar toda essa sanha é difícil prever. Claro que na destruição do meio ambiente e de outros animais, sempre haverá um meio termo e aqueles que lutarão para que a terra continue com o seu papel de casa. Esse meio termo, esse embate entre o que parece o bem e o mal, enquanto uns destroem em nome do progresso, outros defendem e reconstroem a natureza, ditará, sempre, as regras da vida.

Serão os que constroem as indústrias e todos os meios contemporâneos os vilões? Não. Claro que não. Eles, cientistas e grandes empresários, são os responsáveis pela evolução da humanidade. O que sobra então para os que defendem o meio ambiente, os oprimidos, os miseráveis e os excluídos? Sobra-lhes uma batalha muitas vezes inglória e em estado de desvantagem.Contudo, eles são o meio termo, a barreira que impede que a modernidade destrua o planeta terra.

A humanidade está caminhando para um novo paradigma, uma junção de tudo que ela já viveu para se construir um novo modelo de convivência. Claro que ainda existem civilizações que teimam em manter modelos atrasados, entre elas destaca-se a Síria e poderíamos incluir o Brasil com os seus graves problemas estruturais, tendo, como principal, o de segurança. As autoridades brasileiras não conseguem resolver e nem mesmo minimizar a situação da maioria da sua população que vive em palafitas, favelas e periferias abandonadas. Parece que soa como normal às autoridades do Brasil que um monte de jovens envolvido com o crime seja assassinado diariamente. Essa situação não seria normal em outros países. Se houvesse educação competente, saneamento básico, moradia digna, transporte eficiente, emprego honesto e saúde de qualidade, certamente o Brasil nãos seria visto por outros países como país das bundas, em que jogadores de futebol de países vizinhos, de olho na copa do mundo, mandam recados para que as mulheres brasileiras estejam preparadas para a festa.



Muito próximo do Brasil localiza-se o Chile, um país onde a educação está colocada como pilar da sociedade. Ao visitar o Chile, a primeira coisa que o turista encontra é uma sociedade organizada, que não aceita ser oprimida pelos seus governantes, com polícias eficientes, trabalhadores recebendo salários dignos, ruas limpas. E olha que eles saíram de uma ditadura militar bem mais cruel do que a vivida pelo Brasil. Mas o que os diferenciou do Brasil ao longo da história é que eles não foram permissivos em demasia com o modelo de colonialismo cruel imposto à maioria dos países latinos. Brasil, Venezuela, Paraguai, Uruguai, Peru, entre outros, foram os países mais explorados e massacrados pelos colonizadores, colonização que, na mente dos líderes das nações poderosas, persiste até hoje. Somos, ainda, vistos como uma colônia a ser explorada. Permitimos isso.

Na esteira da tolerância e da permissividade, toleramos o político corrupto, o policial bandido e o assaltante e ladrão comum. Depois, com o tempo, passamos a permitir que eles façam parte das nossas vidas, aproveitamos a modernidade e passamos a assistir nas telas os noticiários informando as mortes no trânsito desorganizado, nas guerras do crime e nas filas dos hospitais. Viramos para o lado e fechamos os olhos como se logo ali uma formiga tivesse sido pisoteada.



Uma sociedade só será desenvolvida e justa quando o instinto de sobrevivência for coletivo, quando houver solidariedade e dignidade nas ações dos políticos. Pode-se tolerar, por certo tempo, a injustiça até que se encontre os meios para extirpá-la. Agora, permitir que ela faça parte das nossas vidas, aí já é o início do fim da civilização.

Texto de Pedro Paulo de Oliveira.


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

SÍNDROME DE CAIM E ABEL. - A VIOLÊNCIA DO SER HUMANO.




O que nos diferencia dos outros animais que povoam a terra? pode ser que seja o nosso inconformismo com a vida. Enquanto os demais seres vivos buscam, apenas, um abrigo seguro e o alimento de cada dia, nós, seres humanos, estamos, sempre, em busca de algo maior, grandioso, sonhando como na estória de Ícaro, sonhando e subindo até que as nossas asas se derretem e caímos por terra.

Religiões e sistemas de governo, criados com o intuito de manipular esse inconformismo latente, permanecem vivos e as pessoas ainda acreditam que podem ser salvas por falsos profetas, políticos populistas e líderes mentirosos. Não há como fugir das manipulações de massa, implícitas nas propagandas dos produtos das grandes indústrias. Bebemos Coca-Cola porquê é moda, é bonito, coloca-nos no patamar dos grandes atletas e artistas que fazem a sua propaganda. Queremos nos parecer com os nossos ídolos. Por isso usamos determinadas roupas e perfumes específicos. A música que ouvimos nem sempre soa bem aos nossos ouvidos. No entanto, continuamos a ouvi-la e dançamos ao seu ritmo que nos foi imposto pela mídia. É assim que funciona: se uma determinada pessoa deseja ser artista e tem alguns milhares ou milhões para investir, não precisa ter talento. Especialistas em convencimento trabalharão para convencer as massas de que essa pessoa é um grande artista. O mesmo se dá com qualquer produto, seja de vestuário, seja de alimentação ou de locomoção.

Somo todos impulsionados pelo poder da imagem e do som, tal como os demais animais da natureza. Mas, tal como já foi dito, com a diferença de que somos inconformados com a realidade. Essa é a razão que nos leva a matar. Matamos nossos semelhantes por várias razões: por prazer, por raiva, por despeito, por vingança, por ganância, por sexo e pelo poder. Outras vezes matamos por desvios de personalidade, que carregamos desde a nossa concepção no útero, ou por traumas que sofremos em nossas vidas. Traumas criam monstros. Prenda um cachorro e o açoite todos os dias incitando-o a atacar outros cães. Em pouco tempo você criará uma fera cruel e mortal. É por essa razão que as prisões brasileiras, verdadeiras pocilgas, não reabilitam nenhum ser humano. Pelo contrário, criam monstros sedentos de sangue.

O instinto não conhece regras. Por essa razão, nasceram as primeiras guerras (disputa pelo poder); o acúmulo de riquezas (demonstração do poder, onde as hierarquias se expõem em vários níveis, e quem tem a riqueza vai sobrepujando quem tem menos até chegar a quem nada tem); a exposição da beleza física (a vaidade como poder – o corpo perfeito humilha o desconjuntado); a troca de parceiros sexuais (como quebra do padrão da fidelidade entre um homem e uma mulher, pois a fidelidade, como regra, é extremamente frustrante); e a evolução da ciência (como busca de meios para prolongar a vida e, ao mesmo tempo, ter nas mãos os meios para manipular semelhantes em todos os campos da sociedade).

O que diferencia as sociedades do oriente, com as suas ditaduras, do capitalismo do velho mundo europeu ou do novo mundo americano são as condições de vida dos seres humanos que vivem em cada região, pois os desejos de cada sociedade são idênticos e homens e mulheres são levados a viver segundo as convenções que não gostariam de respeitar e que, sempre, seus governantes não respeitam ( eles podem viver como nababos e em haréns) e formam nações que dividem as riquezas segundo o meio ambiente de cada lugar. As guerras surgem, então, pela disputa dessas riquezas.

Somos, sempre, impelidos pelo desejo constante de perpetuação das nossas riquezas, por menores que sejam e prazer de aniquilar outros seres humanos que, embora movidos por todos os sentimentos de inconformismo, são indefesos, por estarem numa escala inferior do poder.

Vence quem acumulou mais riquezas (conglomerados econômicos, indústrias de transformação, incluindo as de armamentos) e, através dessas riquezas, detêm meios eficientes para aniquilar sociedades inimigas.

Não haverá trégua para o ser humano, enquanto ele não compreender a sua condição limitada; não haverá plenitude para a vida enquanto homens e mulheres não aceitarem a sua condição limitada, pois eterno ainda é o universo, do qual pouco ou quase nada conhecemos e ao qual pertencemos como um todo.

Enquanto isso, cada ser humano certamente continuará sua peregrinação, prolongando sua existência, buscando o prazer e, escondido, quebrando as convenções criadas pelas religiões e governos.

Os jornais estampam as tragédias diárias das diversas comunidades espalhadas pelos diversos cantos da sociedade, onde os criminosos, implacáveis, formam grupos armados, amedrontam e assassinam sem piedade homens, mulheres e crianças. Algumas perguntas ficam no ar: por que os seres humanos se matam? Seria a síndrome de Caim e Abel (despeito, raiva)? Ou seria o simples prazer que alguns homens têm de matar seus semelhantes? Certamente a resposta está no âmago de cada um, na vontade de ente limitado que quer ser deus.

A humanidade sempre de digladiou e civilizações, em nome da justiça, de Deus e do poder foram dizimadas pelos impérios, cada qual na sua época e na sua forma: Egito, Grécia, romã, França, Inglaterra, Espanha, Portugal, Rússia(união soviética) e "Estados Unidos da América". Portanto, é pura demagogia afirmar que hoje a humanidade está pior do que a 3003 anos atrás. Hoje, existem mais seres humanos espalhados pela terra e os meios de comunicação nos transmitem, em tempo recorde, as notícias ocorridas do outro lado do mundo.

Não podemos simplesmente afirmar que as injustiças sociais são as principais causas da criminalidade. Existem mais bandidos nos altos escalões da sociedade do que no meio dos miseráveis espalhados nas periferias das cidades ou nos grotões das zonas rurais. A maioria dos verdadeiros bandidos controla o povo que vive sob a égide da lei, vigiado, oprimido e obrigado a consumir produtos que, na verdade, nem gostariam de ter.

O trabalhador, braçal ou intelectual é movido por códigos de éticas rígidos e foram eles que salvaram a humanidade das suas tragédias e, acredito, serão eles que salvarão o mundo num futuro próximo.

É possível acreditar que um empresário que polui um rio, ou devasta uma floresta, ou joga gases venenosos na atmosfera, ou empresta dinheiro para receber o dobro, ou que paga salários miseráveis tendo grandes lucros não é um bandido? A resposta poderá ser que o progresso tem o seu preço. Mas a própria palavra progresso não admite o desrespeito à vida, principalmente a vida do ser humano. E o político que aceita propina e recebe altos salários num país em que a maioria do povo vive na miséria?

Não é possível sonhar com um mundo perfeito, não nesta terra onde a ambição graça entre os seres humanos e usurpa os valores morais que, se não existissem, a humanidade já teria desaparecido. No entanto, os seres humanos continuarão, sempre, se matando em nome sabe-se lá de que, tal como vemos todos os dias nos noticiários: A mãe que mata a colega de trabalho da filha que reclamou que foi humilhada na empresa; o homem que assassina mãe e filhos, depois de não teve mais o seu amor correspondido; o assaltante que atira num jovem que sonhava ser juiz para roubar-lhe um par de tênis; e o jovem que é assassinado porquê reclamou da conta do restaurante.

Para que não restem dúvidas: o parágrafo acima se refere à sociedade brasileira, ao nosso país, afundado numa violência descomunal, só semelhante ou maior do que as violências dos países em estado de guerra ou terrorismo, na África e no Oriente Médio.



Texto de Pedro Paulo de Oliveira

Imagem: Google.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

LULA - O ETERNO PRESIDENTE DO BRASIL




A nossa sociedade tem passado por grandes transformações sociais e muitas dessas transformações se devem à era Lula. A entrada de Luiz Inácio Lula da Silva na política, a partir das greves dos trabalhadores do ABC, nos anos 80 do século XX, mudou radicalmente a cara do Brasil. Foi um tempo em que o comunismo começava a ruir no mundo e nascia, também, na Polônia o sindicato solidariedade.

Foi através do Sindicato Solidariedade que Lech Walesa, tal como Lula se destacou na liderança sindical, se promoveu e chegou à presidência da Polônia, logo após a queda do comunismo naquele país. No entanto, ele só conseguiu um mandato, não fez fez nenhuma reforma social relevante e saiu desmoralizado do poder.

Lula, após longas derrotas em eleições presidenciais, aprendeu que era preciso fazer acordos para se chegar ao poder. Fez, então, o que foi necessário: colocou seus soldados para alinhavarem os acordos e conseguiu se tornar presidente da maior economia da América Latina e uma das maiores do mundo. Logo que entrou no Palácio do Planalto, implantou um governo de acordos de bases, valorização dos "companheiros", negociação com o Congresso Nacional e apoio aos sindicatos e movimentos sociais. Lentamente o governo Lula foi aperfeiçoando as políticas sociais, com destaque para o Bolsa Família.

A reeleição de Lula foi uma babada. Aniquilou José Serra que, vaidoso e teimoso, nem percebeu que estava morto politicamente. Sabiamente Lula conduziu o processo político, mesmo diante de escândalos como os do Mensalão, que derrubaram José Dirceu e José Genoíno, alicerces políticos do seu governo. Nem assim a oposição conseguiu derrubá-lo.

Lula, então, para espanto de todos os políticos, na hora de lançar seu sucessor, retirou da manga uma candidata que havia nomeado recentemente para o lugar de José Dirceu como Chefe da Casa Civil e que havia sido, também, Ministra das Minas e Energia: Dilma Rousseff, filha de imigrantes, militante de esquerda nos tempos da Ditadura Militar e ex-guerrilheira. Era um risco que a maioria dos seus "Companheiros não queriam compartilhar. Ele encarou o risco, exigiu que ela fosse aprovada na convenção e, com ela, mais uma vez, aniquilou José Serra com o seu discurso neoliberal cansado.

A intenção de Lula ao lançar Dilma para presidente era se eternizar no poder. Ela, como sua fiel discípula e escudeira, nunca fugiu desse compromisso e a marca LULA continuou e continua presente no governo Dilma.

Nenhum outro presidente na história do Brasil conseguiu tanta popularidade e por tanto tempo. O carisma de lula ultrapassou e continua latente em todas as partes do mundo. Claro que muita gente neste país não gosta dele e dos seus "companheiros". Mas, isso é uma outra história. Lula se transformou num símbolo do Brasil, queiram ou não os seus desafetos. Lula é amado pela maioria do povo brasileiro - carente de heróis - e odiado por uma minoria que ainda se acha aristocrática.

O maior mérito de Lula seja, talvez, o de se parecer com o Brasil. Lula tem a cara do seu povo; tem o jeito de falar do brasileiro; tem o modo de andar do nordestino; tem o sorriso matreiro; e sorrio, parecendo inocente. O povo gosta disso.

Texto de Pedro Paulo de Oliveira.

Imagem: Google.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

MARINA SILVA – CANDIDATA A PRESIDENTE A QUALQUER CUSTO – A DECISÃO POR TRÁS DE UM GOLPE.




Todos nós sabemos que a ex-ministra Marina Silva é uma mulher determinada e que gosta dos holofotes e do poder. Ou então ela não estaria nesse embate – no momento inglório – para registrar o seu novo partido. Tentou de todas as formas, com apoio de parte da mídia e de empresas poderosas, como a Natura e o Banco Itau, registrar sua sigla à revelia da legislação vigente. Prevaleceu o que preconiza a lei e a justiça eleitoral não acatou seu pedido.

Marina silva quando lançou sua campanha em prol do seu novo partido, afirmou que assim o fazia por que no Brasil não havia nenhum partido sério. Sua intenção, no entanto, pelo que se comentava nos bastidores, era atingir o Presidente Lula. Entre os dois existe uma mágoa que virou ferida que não fecha. Marina, nos seus tempos de Ministra, almejou ser a preferida de Lula. Mas, ele não viu nela uma discípula. Viu que ela tinha certa independência política e não seguiria seus preceitos, tal como Dilma vem seguindo. Assim, Lula tentou aniquilar a mulher das florestas, filha de seringueiro e teimosa. Não adiantou. Ela ajudou a fundar o Partido Verde, com Fernando Gabeira, outra figura importante do cenário político nacional. Lançou-se candidata defendendo um “programa de governo verde”. Transformou-se em opção para os insatisfeitos com Lula e que não queriam votar no cansado discurso neoliberal de José Serra. Deu trabalho e acabou levando a eleição para o segundo turno. NO segundo turno, como estratégia política, não apoiou nenhum candidato.

Às vésperas de 2014, quando ocorrerão as eleições para o Congresso Nacional e Presidente do Brasil, bem como para governadores dos estados e assembleias legislativas, marina Silva ressurge. Sofreu uma derrota fragorosa no tribunal ao ver negado o pedido de registro do seu partido. E olha que ela daria trabalho na próxima eleição presidencial. Segundo os institutos de pesquisas ela está com mais de 16% das intenções de votos. É muito para um pré-candidato que nem partido ainda tem.

Se Marina Silva entra com o seu partido na disputa eleitoral do ano que vem, haveria grande possibilidade dela passar para o segundo turno e Aécio Neves ficar em terceiro lugar. Isso os tucanos não podiam admitir. Desta forma, Aécio e seus aliados, trabalharam nos bastidores, também, para que o Partido da Marina não desse certo. O mineiro, descendente de sangue da raposa política chamada Tancredo Neves, pensou que podia ter Marina como sua vice e logo que soube da decisão do Tribunal Eleitoral, estendeu-lhe o tapete vermelho. Mas, a ex-senadora e ex-ministra não iria queimar seu filme se unindo a um tucano investigado por má administração de recursos públicos enquanto governador de Minas Gerais, entre outras acusações. Preferiu se filiar ao PSB de Eduardo Campos, descendente de Miguel Arraes. Desta forma, ela pensa que poderá levar a eleição para o segundo turno; ofereceu-se para ser vice de Eduardo Campos na candidatura à presidência da república (mas com a esperança de que ele ceda-lhe a cabeça da chapa). Mesmo que ela não seja a cabeça da chapa e siga como vice, acredita que estará cumprindo sua missão de morder o calcanhar de Lula.

Texto de Pedro Paulo de Oliveira

O DONO DO PODER – MINISTRO JOAQUIM BARBOSA.




No Brasil existe uma cultura enraizada de que está no poder deve ser reverenciado. Essa cultura, esse costume de subserviência vem dos nossos tempos de colonização, quando pertencíamos a Portugal e, posteriormente, fomos dominados culturalmente, pela Inglaterra, França, Itália, Alemanha e Estados Unidos. Esses países nos impuseram, – a nós mestiços, mistura de índio, negro e bastardos dos colonizadores – por força militar, financeira, e de poder político, o rebaixamento moral. Parece que só vamos para frente quando tratamos de nossa própria sobrevivência e tudo fazemos em prol disso. De resto, o que é bom vem de fora e os detentores do poder procuram incentivar essa mentalidade pífia.

Na esteira dessa cultura que preconiza e idolatra países distantes, perdemos nossa identidade patriótica. Principalmente quando vemos o representante máximo das nossas cortes de justiça adquirir imóveis nos Estados Unidos por valores contestados. Claro que ele tem direito de fazer o que quiser com o dinheiro que ganha, que não deve ser pouco comparado com a mixaria que recebe a grande massa de trabalhadores brasileiros. Mas, tudo bem. Se ele está no Cargo de Presidente do Supremo Tribunal Federal, deve ter sido por competência e merecimento. Sendo assim, merece, também, receber o salário que lhe é devido. O negócio é que o Salário Mínimo é que é mínimo mesmo.

Quando Joaquim Barbosa foi indicado para presidir o STF todas as esperanças dos brasileiros recaíram sobre ele, considerando-o como o maior ícone da justiça em todos os tempos. O Senhor Joaquim Barbosa, ou o Doutor Joaquim Barbosa, ou o Ministro Joaquim Barbosa foi colocado nas redes sociais semicoberto pela toga negra, com a fisionomia altiva e o peito estufado. Apresentava-se ao país de maioria pobre, com quase 50 milhões de analfabetos, tomado pela violência nas grades cidades, sem saneamento básico e com o sistema de saude em colapso, o Paladino da Justiça. Pintaram o ministro de Batman (não tinha como dar certo. O Batman é um herói dos norte-americanos).

O Ministro se apresentou prometendo que ia revolucionar as cortes de justiça do Brasil e, com arroubos de poder, convenceu o povo carente de heróis e de políticos sérios que seria capaz de mudar os rumos da sociedade. A população aplaudiu o ministro e o indicou pra ser presidente da república. Minha nossa, como o povo brasileiro estava e está carente de heróis! O pior de tudo é que muitos dos nossos heróis cantados e contados pela história estão sendo desmascarados. Nada tinham de heróis.

Não obstante a responsabilidade que pesava sobre as costas do Ministro Joaquim Barbosa (esperança do povo brasileiro), ele começou a demonstrar intolerância e iniciou, primeiro, uma briga estranha com um repórter; atacou colegas; mandou prender uma repórter que tentou entrevista-lo nos estados unidos; perdeu as estribeiras quando lhe pediram explicações sobre um suposto favorecimento a seu filho, dado por Luciano Huck, da Rede Globo; e agora, pede a cabeça de uma servidora de um ministro, por entender que ela é esposa do repórter, seu desafeto (segundo ele, conflito de interesses).

Teria sido o Ministro atacado pela síndrome do poder? Estaria ele acometido pela doença que o povo gosta de dizer quando vê que uma pessoa que era muito humilde, ao se eleger, fica orgulhosa: “O poder subiu na cabeça dela”?


Texto de Pedro Paulo de Oliveira

A VIDA E MORTE DE ARTUR POR UM TÊNIS.




Cidade de Suzano, Estado de São Paulo, Brasil. Sexta-feira, dia 04 de outubro de 2013 e a noite já tomou conta das ruas faz um bom tempo. Passa das 21 horas e os barzinhos noturnos estão preparados para receber os jovens e velhos Boêmios. Nas portas das escolas fervilham os ânimos para o final de semana que se inicia. Nas avenidas os carros brilham e espalham sons altos que ecoam nos edifícios. As luzes dos faróis se confundem com os letreiros e as janelas abertas. Nas calçadas e nas praças os casais se encontram e combinam o programa da noite. Muitos estão com os celulares ligados, conversando e aguardando seus parceiros.

Artur Felipe está na sala de aula e olha para o relógio. Já passa das nove horas da noite. Está quase terminando a prova do curso de direito. Ele estudou bastante para aquele teste e o fez com muita atenção. Não queria fazer feio para os seus pais, mesmo estando apenas com 20 anos. Seus pensamentos viajam para o dia em que, já como bacharel em direito, prestaria o concurso para a magistratura. Esse é o seu sonho! Perpassa om olhar, mais uma vez, por toda a folha de teste, respira fundo, verifica que deu o melhor de si. Sorri, levanta-se, entrega a folha para o professor e deixa a sala.

Relaxado e caminhando solto pelo corredor da escola, Artur cumprimenta alguns amigos, vai até o banheiro, alivia a bexiga, lava as mãos e ajeita o penteado de frente com o espelho. Seus cabelos ruivos estão curtos e ele pensa: “Pô, eu me pareço pra caramba com meu pai”. Sente-se orgulhoso dessa constatação. Afinal, seu pai é o seu herói, o homem que luta dia a dia pelo seu futuro, pela sua felicidade. Sai do banheiro e agradece a Deus pela sua família.

Mas, como filho de Deus, Artur que havia estudado durante toda a semana, agora estava indo ao encontro de uma jovem. Ele a havia conhecido através das redes sociais e marcado encontro com ela às nove e meia. Convencera-a a levar uma amiga, dizendo que levaria, também, um amigo. Ele havia usado essa estratégia para que o encontro ficasse mais aberto, mais divertido. Ela topou. Encontra o amigo esperando-o no portão da escola. Os dois se cumprimentam com alguns toques de mãos e palavras de ordem. Artur explica que eles devem ir para a Rua General Francisco Glicério, em frente à Escola Estadual Luiz Bianconi.

Artur está usando calça jeans, camisa de malha polo e um tênis importado que ganhara recentemente de seu pai. Precisava estar muito bem vestido e bonito para aquele primeiro encontro. A garota, através das fotos postadas no Facebook, parecia uma gatinha.

A moto é uma CG 125 e ronca na noite. Os dois amigos dão risadas e Artur grita que a noite é uma criança e que as meninas estão esperando. Logo eles estão percorrendo a ruas e avenidas rumo ao seu destino. Avistam, enfim, a Escola Luiz Bianconi. Estacionam a moto do lado oposto de um bar onde avistam as duas garotas. Eles descem. Artur é o primeiro a tirar o capacete e as garotas acenam para eles. Ele se vira para o amigo e diz que as “minas são lindas”. De repente, mesmo antes que o seu amigo tire o capacete, dois outros jovens, de estaturas medianas e morenos se aproximam acintosamente. O mais alto deles, cabelos curtos e crespos, está empunhando uma arma. Ele grita que quer a moto e manda o amigo de Artur entrega-la. Assustado ele diz: “leva, pode levar.” Artur permanece em silêncio e se espanta quando um dos bandidos, o que está com a arma na mão, olha-o e grita: “hei, você com esse tênis! Artur sente um calafrio percorrer sua espinha. O tênis de mais de mil reais que ganhara a poucos dias virava motivo de desejo do bandido. Aqueles safados não podiam levar seu tênis. Artur salta para trás e o bandido, sem hesitar, dispara a arma. O tiro acerta em cheio o peito de Artur e vara nas suas costas. O bandido se aproxima e tira o tênis de um dos pés.

Em poucos segundos os bandidos saem correndo. Na fuga o que carregava nas mãos apenas um pé de tênis, olha para uma casa e o joga em frente ao portão. A casa, coincidentemente, é a casa onde mora a família de Artur.

Enquanto isso, as garotas e o amigo de Artur gritam por socorro. Artur ainda caminha. Não acredita que o tiro vai levar sua vida e seus sonhos. Afinal, ele tem muitos anos, ainda, para viver; vai namorar muitas garotas; vai se formar e virar juiz de direito; e dar muito orgulho para seu pai. Seu amigo e as garoas o amparam. Não percebem que o tiro havia atravessado seu corpo e o levam para o bar. Dentro do bar descobrem o ferimento no peito e nas costas. Chamam o SAMU que chega rapidamente. Mas Artur já está pálido, se forças e perdendo a consciência.

Em casa, a mãe de Artur, que havia escutado o estampido, sai na rua. Caminha meio sem rumo, tomada por um estranho pressentimento. Na sua mente a imagem do seu Artusinho vem e volta. Ela avista um movimento no bar e vai até lá. Conhece, de longe, a calça e a camisa do filho. Corre ao seu encontro, ajoelha-se ao seu lado e grita por ele. Pede aos paramédicos e a Deus para salvá-lo. Artur segura na mão da mãe, aperta-a e solta. Já não tem mais forças. Os paramédicos acodem-no rapidamente, tentam estabiliza-lo e o levam para o hospital.

Artur tem uma última visão ao percorrer o corredor branco e cheio de luz do hospital. Vê seu pai, seus amigos, as garotas, sua mãe. As luzes do teto do corredor o ofuscam e ele fecha os olhos, cansado e com sono. Entrega-se ao sono sem perceber que está morrendo.


Fim de uma história, fim de uma vida, como tantos outros finais de vida pelo Brasil afora. Vidas se vão em troca de um tênis, de um celular, de uma calça, de uma câmera de um fotógrafo famoso ou de uma garota comum. As ruas estão contaminadas por uma doença chamada “impunidade”, onde, numa cidade bonita como o Rio de Janeiro, um pedreiro é preso, torturado e assassinado pela elite da Polícia Militar. Então, o bandido pensa: “Se eles podem, eu também posso”! Em um país onde o Congresso mantém o mandato de um deputado preso, o bandido pé de chinelo imagina que o crime compensa, pois, afinal, tem até congressista como representante. No Brasil, o cidadão de bem virou refém da sua própria dignidade. O cidadão de bem é aquele que peleja diariamente pela sua vida e não encontra no estado a segurança necessária para viver em paz.


Talvez Artur não tenha sido assassinado apenas pelo tênis, ou por que tenha reagido, corrido ou se assustado, assustando o desgraçado na sua frente. Talvez... Talvez... Para aqueles que o amaram e cultuam a sua imagem, apenas importa que Artur se foi muito antes do dia em que deveria realmente ir. O bandido que o matou, certamente merecia esse tipo de morte. Artur, não.

Texto de Pedro Paulo de Oliveira.

NAYRA E O CHAVELHO DE ESPINHOS NA FAIXA DE GAZA

" Esses pequeninos, cheios de sonhos, sonhos que embalam o mundo, distantes das       ambições e da crueldade dos homens e mulheres que...