quarta-feira, 2 de julho de 2014

A MORTE LENTA E CERTA DE UM RIO CHAMADO "TURVO".

JOSÉ DARCI RETIRANDO UM PNEU DO RIO TURVO

Em um claro protesto ao desrespeito e ao assassinato do Rio Turvo, que corta a cidade de Andrelândia em quase toda a sua extensão, José Darci Fagundes, seu filho Sâmaro e mais alguns cidadãos, retiraram das suas águas mais de uma dezena de pneus velhos apenas nas proximidades da ponte que liga o Centro ao Bairro do Rosário. 



Os pneus recolhidos ficaram expostos na calçada de acesso de pedestres da ponte por um longo tempo para que a população os olhasse e pensasse no crime ambiental que está sendo praticado contra o rio que abastece o município de água. No entanto, percebia-se que as pessoas passavam e olhavam desatentas como se aqueles pneus nada significassem, mais como o delírio ou a mania de um sujeito qualquer que teve coragem de entrar, em pleno inverno, no rio e dele retirar uma grande quantidade de lixo.

JOSÉ DARCI EXPONDO OS PNEUS
As pessoas não se importam com o rio, mas querem água de qualidade para beber, tomar banho e lavar suas roupas, utensílios domésticos e carros. Para que nos preocuparmos com o rio se quando precisamos nos refrescar vamos atrás de uma cachoeira ou para a piscina do clube? 

RETIRADA DE PNEUS DO RIO TURVO

Pensamos assim: Quem tem que cuidar da qualidade da água que chega à minha casa é a Copasa que me cobra uma conta de consumo de água todo mês; Quem tem que limpar o rio é a Prefeitura que recebe impostos; e quem tem que vigiar as pessoas para que não oguem lixo no rio é a Polícia Florestal, o IEF e outros órgãos ambientais. Esses caras que ficam limpando o rio são maníacos. Não estou nem aí para o rio, pois tenho muitas preocupações e nos meus momentos de folga quero me divertir. É... E pensando assim, vemos o nosso rio morrer lentamente, vergonhosamente, diante da nossa covardia e descrença de que um dia vamos lamentar não ter feito a loucura que esse José Darci e seu filho Sâmio fizeram num perímetro de pouco mais de 200 metros do rio, limpando suas águas do lixo de sujeitos sem a mínima educação e descomprometidos com a vida. 




Claro que exite a responsabilidade dos órgãos citados e da Prefeitura Municipal de Andrelândia na proteção do Rio Turvo. Esses órgãos foram criados para proteger o meio ambiente e a Prefeitura como responsável pela administração municipal, não pode se omitir de proteger o "nosso Rio". Já foi dito em matéria anterior que foi criado o Parque Municipal Manoel Caetano com a finalidade de proteger o Rio Turvo. Esse parque foi criado em 2005 e não saiu do papel desde então. 

Que o gesto de José Darci e seu filho sirvam de exemplo e alerta não só para as autoridades, mas para todos os cidadãos omissos de nosso município. 

Texto de responsabilidade de Pedro Paulo de Oliveira. 

Fotos: José Darci e seu filho Sâmio.

      

terça-feira, 1 de julho de 2014

A MANIPULAÇÃO DAS MASSAS - INÍCIO E FIM DE DA CIVILIZAÇÃO.

Vazou a notícia de que o Facebook manipulou o algoritmo para distribuir posts no feed de notícias de 700 mil usuários durante uma semana em 2012 para saber como isso afetaria o humor delas. O resultado foi que o o humor da maioria dos usuários variavam de acordo com o conteúdo do post.

Transcrevo matéria  de O Globo publicada pelo colaborador em JUS Brasil Tiago Albuquerque:

 O estudo, conduzido por pesquisadores associados ao Facebook, pela Universidade de Cornell, e pela Universidade da Califórnia, foi publicado em junho na 17ª edição dos Anais da Academia Nacional de Ciência.
Os pesquisadores pretendiam verificar se o número de palavras positivas ou negativas nas mensagens lidas pelos usuários resultaria em atualizações positivas ou negativas de seus posts nas redes sociais.
Observou-se que os usuários que tiveram o feed manipulado utilizaram palavras positivas ou negativas dependendo do conteúdo ao qual foram expostos.
Os resultados do estudo foram propagados quando a revista online Slate and The Atlantic abordou o assunto no sábado.
"Estados emocionais podem ser transferidos para os outros por meio do contágio emocional, levando as pessoas a experimentarem as mesmas emoções de modo inconsciente", afirmam os autores da pesquisa.
"Estes resultados provam que as emoções expressas pelos outros no Facebook influenciam nossas próprias emoções, o que evidencia o contágio em larga escala via redes sociais."
Enquanto outros estudos usam metadados para estudar tendências, este parece ser o primeiro a manipular dados para verificar se há reação.
A pesquisa é considerada legal de acordo com as normas do Facebook, mas seria ética?
"#Facebook FEED DE USUÁRIOS MANIPULADOS PARA EXPERIMENTOPSICOLÓGICO EM MASSA... Sim, está na hora de encerrar a conta do FB!", lia-se em post do Twitter.
Outros tweets usavam expressões como "super perturbador", "assustador" e "mau", assim como manifestações irritadas, para descrever o estudo.
Susan Fiske, professora da Universidade de Princeton que editou o artigo para publicação, disse a The Atlantic que ela ficou preocupada com a pesquisa e entrou em contato com os autores.
Eles disseram que o conselho institucional aprovou o estudo, já que "o Facebook manipula a atualização do feed dos usuários o tempo todo".
Fiske admitiu ter ficado "um pouco assustada" com o estudo.
O Facebook disse a The Atlantic que "considera cuidadosamente" a pesquisa e que há "um processo de avaliação interna".
O Facebook, maior rede social do mundo, informa ter mais de um bilhão de usuários ativos.
O que se constata por essa pesquisa é estarrecedor: o ser humano contemporâneo é manipulado pela Tecnologia da Informação - TI. A informação é manipulada pelo interesse das grandes corporações e pelas nações poderosas. Já está provado que os Estados Unidos bisbilhotam o planeta terra inteiro, além de parte do espaço sideral. Resta às massas humanas espalhadas como formigas por todos os cantos da terra apenas aceitar o que lhe é imposto, ou seja: As redes sociais (facebook, Twitter, etc) são instrumentos para induzir seres humanos a seguir uma linha de pensamento e sentimentos, na maioria das vezes voltados para o consumismo; a televisão, da mesma forma, trabalha a questão da imagem e do som (principalmente a música de péssima qualidade que deturpa a mente dos jovens) como meio de manipular as pessoas distraindo-as (distraídas, as pessoas assimilam desejos e formas sem perceber); os jornais e revistas, ainda persistindo, atendem interesses do poder político vigente, captando simpatizantes e seguidores (criam falsas imagens de líderes); e, finalmente, as pessoas são bombardeadas por sons e imagens espalhados pelas ruas das grandes cidades, principalmente à noite, em luzes coloridas e deslumbrantes. 
Na questão de manipular as massas, o meio acaba sendo o fim, sem que haja justificação. Não há complacência quando se trata de impor um costume, convencer uma multidão e sobrepor-se sobre os demais. Cada vez mais a tecnologia é usada para controlar as pessoas e os gênios da informática sabem disso e se curvam seduzidos, também, pelo poder e pelo dinheiro. Quem manipula, na verdade, aparece pouco na mídia. Até aparece, contudo, sempre discretamente e como pai de algum projeto social.  No Brasil, pouco se fala na família Marinho, dona da Rede Globo, nos Civitas, donos do Grupo Abril ou na família Saad, dona do Grupo Bandeirantes. São eles, em conjunto o Estadão e outros jornais importantes, que manipulam as mentes e as almas de milhões de brasileiros.
Outra forma poderosa de manipulação das massas são as religiões. Aliás, essa foi a primeira e grande forma de controlar as pessoas. Que o diga o Imperador Constantino que soube muito bem manipular a Igreja Católica e a transformou no que ela é hoje. As religiões, sob todas as formas, ainda persistem, e sempre com a promessa de curar o corpo e salvar a alma. Vê-se, pelo mundo inteiro, templos e mais templos lotados, onde fiéis são manipulados e enganados. Em nome de Deus e de profetas, matam-se crianças, sacrificam-se filhos e abusam-se de inocentes.  
Texto escrito por Pedro Paulo de Oliveira.
Imagens: Facebook e Gicult       

quarta-feira, 25 de junho de 2014

MARCOS PAULO DE SOUZA MIRANDA - O GUARDIÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE MINAS GERAIS

MATÉRIA PUBLICADA NA REVISTA VEJA - BELO HORIZONTE - 25 DE JUNHO DE 2014.
Republicada na íntegra.

Guardião do patrimônio histórico, o promotor Marcos Paulo de Souza Miranda recupera peças sacras que foram saqueadas em Minas Gerais

Graças aos esforços da equipe que ele comanda, mais de 600 obras roubadas de igrejas mineiras já foram encontradas

por Glória Tupinambás | 25 de Junho de 2014
                    Miranda em meio a imagens resgatadas: luta pela conservação do barroco

      O ano era 982. Os mouros invadiam Portugal e queimavam igrejas e imagens de santos. Em busca de proteção, guerreiros cristãos ergueram uma muralha no norte do país e, sobre a porta principal, construíram um altar para Nossa Senhora do Porto, venerada a cada batalha vitoriosa. Nos idos de 1600, o culto à santa cruzou o oceano e ela se tornou padroeira do velho Arraial do Turvo, hoje Andrelândia, no Sul de Minas. Quem acredita em milagres certamente vai dizer que não é por acaso que nessa pequena cidade nasceu, há quarenta anos, um guardião de ícones sagrados. À frente da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico, Marcos Paulo de Souza Miranda ajudou a devolver aos altares mais de 600 peças sacras saqueadas de igrejas mineiras. Parte desse tesouro integra a exposição Patrimônio Recuperado, em cartaz até 20 de julho no Museu Mineiro. Capítulos da história de luta pela preservação do barroco também são narrados no livro O Aleijadinho Revelado, o 19º da sua carreira, a ser lançado em BH, no próximo dia 25.

      A paixão de Miranda pelo patrimônio começou muito antes de ele vestir terno e gravata e assumir vaga no Ministério Público. Adolescente, ao participar de expedições a cavernas, mobilizou-se para ajudar a criar, em Andrelândia, o Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio, com 600 pinturas rupestres. Mais tarde, já formado em direito e aprovado no concurso para promotor, foi atuar em Piranga, na Zona da Mata, sede de uma das paróquias mais antigas de Minas. Foi ali que, em 2003, ele atuou pela primeira vez em processos criminais contra quadrilhas paulistas acusadas de saquear peças sacras. O trabalho deu origem ao Grupo Especial de Proteção ao Patrimônio Cultural das Cidades Históricas de Minas, que atuava em trinta comarcas do circuito do ouro e dos diamantes. Em 2005, Miranda se mudou para a capital e fundou a promotoria especializada em patrimônio.

      “Estimamos que 60% das peças sacras do estado tenham se perdido”, lamenta Miranda. Segundo ele, há registros de furtos em igrejas desde o século XVIII, quando o principal alvo era a prataria. Mas a Semana de Arte Moderna de 1922 foi um divisor de águas. “Em busca de uma identidade nacional, o barroco e Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, se tornaram ícones, e ficou chique ter uma peça dessas em casa”, conta, ressaltando que os saqueadores passaram a procurar o valor artístico das obras, e não apenas o material. Para resgatar objetos, o promotor coordenou, junto com a Polícia Federal e institutos de defesa do patrimônio, dezenas de operações, como a Pau Oco e a Senhora do Rosário. Paralelamente ao trabalho de guardião, Miranda desenvolveu, durante vinte anos, um estudo sobre a vida do maior mestre barroco e patrono das artes no país, Aleijadinho. O resultado da pesquisa, realizada no Brasil e em Portugal, é tema do seu novo livro. Uma das revelações é sobre a real data de nascimento de Aleijadinho. “Não foi nem em 1730 nem em 1738, como se pensava, mas em 1737”, diz Miranda. “Também conto sobre uma exumação clandestina em sua ossada, feita por ingleses, e as influências da família, composta de carpinteiros de corporações medievais.” Uma lição de história.


UMA DENÚNCIA: CRIMES CONTRA A VIDA NA REGIÃO DO TURVO E UM PARQUE CHAMADO MANOEL CAETANO




DESMATAMENTOS CRIMINOSOS; QUEIMADAS; ASSOREAMENTOS DOS RIOS, CÓRREGOS E LAGOS; CONSTRUÇÕES QUE DESTROEM A NATUREZA; E O SONHO DE UM PARQUE CHAMADO MANOEL CAETANO


A água nos últimos meses, em toda a região Sudeste, tem sido motivo de preocupação das autoridades, principalmente de prefeituras como a de São Paulo. O sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de quase toda a capital paulista, chegou ao seu limite mínimo e, talvez, abaixo do mínimo. Esse bem, do qual 70% do nosso corpo é feito, é essencial para a manutenção da vida no Planeta Terra. Essa questão é indiscutível e nem precisa de muitas explicações neste espaço, já que aprendemos nos primórdios da educação escolar essa premissa. Água – vida – saúde – sensação de bem estar e frescor. Água potável e pura é sinônimo de boa saúde.

                Até meados do século XX a expectativa de vida do brasileiro era de no máximo 50 anos. Saneamento básico era luxo para poucos; água potável (sem amebas, oxiúros, tênias, coliforme fecal e tantas outras doenças graves) era direito de quase ninguém. Dessa forma a população morria cedo atacada por doenças endêmicas e epidêmicas. Como a água não chegava potável para a maioria da população, as pessoas perdiam seus dentes muito cedo, sem nunca terem usado flúor e feito higiene bucal.

                Nos tempos atuais, embora nosso país ainda esteja muito aquém de quaisquer outros do chamado Primeiro Mundo, uma grande parte da população tem acesso à água potável de boa qualidade e saneamento básico. Quando se fala em saneamento básico, certamente se fala em água, pois é através dela que se programa essa ação social. Não há como se imaginar uma família subsistindo sem água potável hoje em dia. Desta forma, a expectativa de vida dos brasileiros alçou a casa dos 70 anos. Tudo graças ao saneamento básico. Saneamento básico significa tratamento de saúde preventivo, pessoas saudáveis, bonitas e felizes.

                Alguns fatores sociais, no entanto, têm chamado a atenção e ligado o sinal de alerta para os cientistas que estudam as ações dose seres humanos no meio ambiente: desmatamentos e queimadas indiscriminados; assoreamento das margens dos rios, córregos e lagos em detrimento do turismo predatório, da expansão urbana, da exploração mineral e da extração de areia para a construção; esgoto industrial e doméstico sendo despejado nos rios e mares; lixões poluindo os lenções freáticos; abertura de estradas, loteamentos, distritos industriais e condomínio sufocando as nascentes de água; e crescimento desenfreado das cidades sufocando os rios, os córregos, lagos e nascentes, causando tragédias nos períodos de chuvas (enchentes, deslizamentos, desabamentos...). Embora esses sejam fenômenos relativos à civilização brasileira, ele se repete em muitos países subdesenvolvidos e, até mesmo, naqueles que estão no dito Primeiro Mundo.

                Diante dos desafios impostos pelo crescimento desenfreado das cidades, pelos dejetos das indústrias e residências despejados nos rios e córregos, pelo desmatamento e queimadas sem controle, e pela destruição dos rios e mares parece não haver uma solução em curto prazo, até porque as autoridades brasileiras fazem vista grossa para o problema, pregando nas cúpulas mundiais de defesa do meio ambiente uma coisa, se fazendo de defensores ferrenhos da natureza e se omitindo na realidade, quando deveria agir de forma dura contra os transgressores das leis e códigos florestais. Na verdade, existe muito lobby em torno da destruição da natureza. Grandes empresários do ramo imobiliário, das indústrias e da construção civil têm representantes no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas, nas Câmaras Municipais, nos Poderes Executivos (Federal, Estaduais e Municipais) e, até mesmo, nas cortes de justiça.

                Quando a questão é liberar um empreendimento de grande porte, seja industrial ou imobiliário, que envolve impacto ambiental, os lobistas entram em ação e toda as certidões são liberadas rapidamente nas prefeituras, no Instituto de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, CODEMAS, cartórios e outros órgãos que regulam a matéria. Ora, sabe-se e já foi muito noticiado pela mídia que em regiões de grandes florestas do Brasil os cartórios são coniventes com a grilagem, com os mineradores e madeireiros. Sabe-se por todo o mundo que esses grandes mineradores e madeireiros não hesitam em mandar matar aqueles que cruzam seus caminhos.

                Em nível regional, na Bacia do Alto Rio Grande, numa região que se estende pela Zona da Mata, Vertentes e Sul de Minas o que se vê são extensas áreas quase desertificadas. Ao longo dos séculos, iniciando-se na colonização do Brasil, os primeiros habitantes dessa região simplesmente trataram de explorar e arrancar tudo que pudessem da terra. Depois de acabar com todas as florestas, passaram a usar os campos para a atividade agropastoril. A queimada era a forma de renovar os pastos para o gado (bois, vacas, cavalos, mulas). A terra foi enfraquecendo, as erosões foram se formando e os rios foram perdendo grande parte do seu volume de água.  No entanto, a população era baixa e as únicas indústrias poluidoras que existiam eram as fábricas de queijo e manteiga. Como não se usavam produtos químicos fortes na fabricação desses produtos, o soro que ia para o rio ainda servia de alimento para os peixes. Não havia nem esgoto doméstico em grande escala até início do século XX. As famílias tinham, nos quintais, as famosas casinhas onde faziam suas necessidades fisiológicas; o sabão usado era de cinza e os seus restos ficava na terra do quintal; e os restos de comida ficavam nas hortas servindo de esterco e alimento para as galinhas. No entanto, a realidade de hoje é completamente diferente: 95% das residências das pequenas e médias cidades dessa região possuem banheiros e água tratada. No entanto, todo o esgoto doméstico é despejado nos rios. Varias pequenas indústrias se instalaram na região, bem como aumentou o número de oficinas e postos de gasolina.

                O Rio Grande, ainda navegável em boa parte do seu leito, já perdeu mais de 20% do seu volume de água por conta do enfraquecimento dos seus afluentes (isso tudo em menos de meio século); o Rio Turvo, que corta todo o Município de Andrelândia, está quase que completamente destruído com a sua água apodrecida, quase sem peixes e com as suas margens completamente assoreadas. O que se vê, ao longo do curso desse rio é uma cena lastimável, de cortar o coração: até meados do século passado podia-se até navegar pelo Rio Turvo; viam-se pescadores em toda extensão das suas margens, no verão suas águas era a alegria da maioria da população que o procurava para se refrescar. O Rio Turvo talvez seja, hoje, o mais castigado dos demais (Capivari, Rio do Peixe, etc...). Ele é o exemplo de destruição da vida em detrimento de um falso desenvolvimento econômico. Até por que na maioria das cidades do seu entorno não houve nenhum desenvolvimento econômico efetivo. Muitas cidades, aliás, perderam sua importância.

                Fica o alerta, tendo como exemplo o Rio Turvo que corta Andrelândia, de que a natureza pede socorro e tenta dizer aos seres humanos que eles são parte de um ecossistema que para subsistir precisa do cuidado de cada um de nós.


                Foi criado um parque ao longo de parte do curso do Rio Turvo, denominado Parque Manoel Caetano (em homenagem a um dos primeiros moradores da região, amigo de André da Silveira). A intenção desse parque foi a de proteger o Rio Turvo contra a sua destruição. O mentor do projeto de lei, salvo engano deste redator, foi o Promotor de Justiça, também andrelandense, Dr. Marcos Paulo de Souza Miranda. Contudo, desde a sanção da Lei em 2005 até hoje, tudo não passou de intenção. – Intenção no papel. Nada foi feito de efetivo para recuperar as nascentes e as margens do rio. O Parque Manoel Caetano, nascido para proteger o Rio Turvo, é mais uma boa intenção tal quais as muitas leis que já existem no Brasil. Nessa lei foi delineado, inclusive, o perímetro do parque. No entanto, lamentavelmente, nenhuma obra foi feita e o Rio Turvo, gênese de uma civilização, continua sendo assassinado lentamente. Para os incautos que olham com descaso os rios e acreditam nas boas intenções dos políticos que só aprovam as leis, resta lembrar o condenado diante do padre que lhe fala de boas intensões em vida para salvar a alma: “o inferno está cheio de boas intenções, seu vigário. Vou morrer assim mesmo!” – Responde o condenado aceitando seu fim. 

Texto de responsabilidade de Pedro Paulo de Oliveira

Imagens: estradasbrasil.com                        

quinta-feira, 15 de maio de 2014

ANTÔNIO ERMÍRIO DE MORAES - MEMÓRIAS DE UM DIÁRIO CONFIDENCIAL


       Poucos homens na história do Brasil tiveram uma biografia como a de Antônio Ermírio de Moraes. Pensar nesse homem nos trás à mente um dos maiores impérios industriais do mundo. Sua saga industrial se iniciou em meados do Século XX, num tempo em que o Brasil ainda se portava como colônia, impregnado de medos e incertezas. Foi com a coragem e a tenacidade de um homem que enxergava o futuro e amava o Brasil que nasceu o Grupo Votorantim.

      No entanto, pensar em Antônio Ermírio de Moraes apenas como um industrial, um empresário bem sucedido, é uma injustiça. Esse homem foi muito mais do que  o fundador de um conglomerado industrial. Através das páginas do Livro "Antônio Ermírio de Moraes - Memórias de um Diário Confidencial", o escritor e jornalista José Pastore conseguiu extrair - do homem - sua vida, uma existência inigualável, recheada da paixões pela família, pelos amigos e por um Brasil que sempre o decepcionava.


     Enquanto lia cada página desse livro, entendi que certos homens nasceram para a grandeza e Antônio Ermírio de Moraes certamente é um desses homens. Recomendo a leitura desse livro pungente, divertido, inteligente e instrutivo.

Pedro Paulo de Oliveira. 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM A HUMANIDADE DOS BRASILEIROS?


            Havia vida naqueles olhinhos, quatro brilhantes refletindo a luz do dia; havia esperança que os movia, esperança inocente, entre sorrisos, brincadeiras, abraços e o amor comum à infância. Então... Veio o homem sem esperança, sem brilho, sem amor... O homem não sorriu, entrou pela casa e encontrou os dois irmãos juntinhos, brincando, como sempre. A irmã mais velha, de treze anos se levantou assustada, olhou para o jovem forte, negro e carrancudo entrando pela sua casa sem ser convidado. Correu para junto do irmão mais novo, de nove anos, abraçou-o e perguntou:

“O que você quer?”

“Esqueci uma coisa minha aqui e vim buscar” - Respondeu o homem, secamente.

                Aquele homem havia estado mais cedo na casa para receber uma dívida de R$140,00 do irmão mais velho das duas crianças. Como ele só recebeu R$100,00, resolveu voltar para receber o restante de outra forma.  

Ao vê-lo na sala, olhando em todas as direções, a criança de nove anos disse:

 “Não tem mais ninguém em casa... Vá embora, por favor.”

“fiquem quietos. – Ordenou o homem. Vim receber o resto da minha dívida e vou levar o notebook como pagamento."

                A súplica daquela criança passou como uma rajada de vento nos ouvidos do jovem e, assustadas, começaram a gritar. O homem se aproximou delas e as esbofeteou com violência. Sentiu um prazer quase que absoluto em bater-lhes. Os dois irmãos caíram no chão e o homem arrasto-os para quartos separados. Amarrou a garota com o fio de um carregador de celular e o garoto com um lençol. Depois, foi até a sala, apanhou o notebook, dois celulares e um tablete. A garota, no entanto, conseguiu escapar. Ao perceber que ela tentava fugir, acertou-a com um soco e tornou a amarra-la com o fio do carregador de celular. Só que desta vez, deu um nó no fio envolto no pescoço dela.

                Na mente daquele homem não bastava apenas levar os objetos, era preciso se vingar do irmão delas. Foi até os quartos com uma garrafa de álcool nas mãos e olhou-as. A menina mais entendeu o que se passava e suplicou:

“Não nos mate, moço, não faça mal pra gente.”

                Surdo por um desejo de vingança incontrolável, na mente daquele jovem forte, de 21 anos, perpassava a imagem do irmão mais velho daquelas duas pequenas vidas. Queria se vingar dele e deixaria sua marca naquela casa, da forma mais perversa possível. O irmão dos dois inocentes lhe devia e não pagou. Pagaria de outra forma.

                As duas crianças, que há poucos instantes sorriam em seus folguedos, vislumbraram a crueldade plena na face do carrasco que acendeu o isqueiro calmamente. O brilho nos olhos daquele homem era opaco, assustador. A menina entendeu o tamanho da crueldade que estava acontecendo contra si e seu irmão. Entendeu que chama que ardia na mão do jovem de 21 anos, terminaria com os seus sonhos e com os sonhos do seu irmão. Só não entendeu a razão pela qual estava terminando sua passagem pela terra de forma tão dramática e cruel. Queria até perguntar para o homem por que ele estava fazendo aquilo. Será que não bastava levar todos os objetos eletrônicos da casa? Mas, ela estava engasgada pelo medo. Nada havia a fazer. Fechou os olhos e gritou o quanto pode quando as chamas começaram a consumir seu corpo. Ouviu os gritos do irmão no outro quarto, pedindo por socorro e foi tudo mais o que ainda pode ouvir. Quis poder estar ao lado dele e abraça-lo.

                O homem mal se virou calmamente e seguiu na direção da sua casa, onde guardou o  que havia roubado. Depois, foi para a casa da namorada do outro lado cidade. Ela, ao vê-lo, abraçou e lhe disse:

“Você tá fedendo queimado. Que cheiro danado de fumaça!”

                Ele olhou para a namorada, sorriu e respondeu:

“Tou mesmo... Queimei uns bichinhos lá em Ceilândia pra servir de exemplo pra outro bicho.”

                Tomei por base para esta narrativa, o assassinato de duas crianças no último dia 12 de maio em Ceilândia, cidade Satélite de Brasília, no Distrito Federal. Não citei o nome do assassino por entender que ele não merece ter seu nome citado. Com mais essas mortes eu pergunto o que está acontecendo pelas periferias do Brasil? Uma mulher é assassinada por ter sido confundida com uma sequestradora; outra mulher foi torturada e morta por ter furtado um pacotinho de bolacha; um garoto é morto por que era um empecilho na vida de uma madrasta; um homem foi quase linchado por ser irmão de um suposto pedófilo; e duas crianças são queimadas vivas por que eram irmãos de um homem que devia R$140,00 para um psicopata. Isso tudo sem contar a quantidade de moleques armados, assassinos impiedosos praticando assaltos pelas ruas das cidades do Brasil.

                A população não confia na polícia, não confia na justiça, não confia nos políticos, não confia na saúde e está aterrorizada quando sai de casa, com medo das greves nas empresas de ônibus e metrôs. Isso é uma merda. Sim, isso mesmo, como disse o bêbado subindo a avenida da minha cidade: “merda pura esse negócio todo.”

                Por que a população não confia na polícia? Por que a população não confia na justiça? Por que a população não confia nos políticos? Por que a população não confia no transporte público? Por que a população não confia no sistema de saúde? Todo mundo sabe por quê. Boa parte das polícias está corrompida, com bandidos nas suas fileiras; a nossa justiça é a mais lenta do mundo, além de privilegiar quem tem dinheiro; a maior parte dos políticos é corrupta e ou defende interesses pessoais; O nosso transporte público é um dos mais caro do mundo e com a pior qualidade; e o nosso sistema de saúde está falido.

                Talvez a resposta para o caos que está se instalando no meio das classes menos favorecidas do Brasil esteja na falência das suas instituições, como explicitado acima. Uma nação onde a justiça falha em demasia, tende a rumar para a desordem.



Texto integral de Pedro Paulo de Oliveira.
               



AS DESGRAÇAS DAS COPAS DO MUNDO.


Para a maioria que pensa que a Copa do Mundo este ano no Brasil será uma desgraça, ainda não mensurou a tragédia que está acontecendo no Catar, um país governado por uma monarquia absoluta, onde a mesma família está no poder desde meados do século XIX. Para se ter uma ideia do está ocorrendo, basta saber que somente nos últimos meses morreram mais de 1200 operários nas obras dos estádios bilionários que estão sendo construídos por lá. A maioria dos trabalhadores é proveniente do Nepal e da Índia. Essa maioria é formada por miseráveis, arregimentados em povoados afastados da civilização, esfomeados, e que deixam suas casas e suas famílias com a promessa de ganhar muito dinheiro no país bilionário dos Emirados Árabes. Segundo previsões de órgãos dos direitos humanos internacionais, devem morrer mais de 4.000 operários até 2022, ano que o Catar sediará a Copa do Mundo.

Algumas instituições internacionais de defesa dos direitos humanos já estão pedindo à FIFA que cancele a Copa do Mundo no Catar. No entanto,  o órgão maior de controle do futebol no mundo parece que não está nem aí para os miseráveis que estão sendo aniquilados nas obras do país árabe.

Só para se ter uma ideia dos desamando nesse país onde as liberdades são privilégios dos detentores do poder, esses trabalhadores miseráveis são submetidos a turnos de mais de 12 horas, sem condições de segurança ou higiene, não têm direitos a tratamentos de saúde ou assistência social. Uma grande parte deles sequer recebe seus salários em dia, trabalhando em troca de um alojamento sub-humano e de duas refeições diárias de qualidade duvidosa.

Do outro lado, o Catar tenta passar a imagem de um país moderno, copiando - e mal copiado – a arquitetura e a arte ocidentais. Pagam valores astronômicos para artistas norte-americanos e europeus exporem e venderem suas artes na capital e outras cidades que consideram importantes. O governo do Catar compra esses artistas e manda prender os artistas locais. O que não dá para entender são esses artistas se venderem para uma ditadura que não respeita, no mínimo, os direitos humanos.

Até 2022, muita água vai rolar e muitos miseráveis ainda vão morrer nas obras bilionárias do Catar, e a FIFA, de olho nas cifras que entrarão nos seus cofres, pouco vai se importar com um punhado de miseráveis que morrerão por conta do evento que ela administra.

Quanto à Word Cup 2014 in Brazil, a FIFA, também, pouco se importa se milhões de reais estão sendo desviados dos cofres públicos na corrupção passiva e ativa entre governantes e empresários responsáveis pelas obras dos estádios que sediarão os jogos. Uma coisa é certa: O Brasil não está preparado para sediar a Copa do Mundo. Basta ver o caos  do transporte público, da segurança e da saúde. A maioria dos países europeus, além dos Estados Unidos, está emitindo cartilhas, através das agências de viagens, prevenindo os turistas para os perigos do Brasil, alertando-os, em especial, para o Rio de Janeiro e São Paulo onde os assaltos e assassinatos de turistas estrangeiros são frequentes.  

O mais cruel de tudo, seja no Brasil ou no Catar, é que prevalece o lucro, a soberba, a corrupção e o desprezo sobre a questão social. Como entender que se possam gastar bilhões de reais ou de dólares em obras faraônicas, enquanto milhões passam fome, morrem trabalhando dignamente, não têm direitos sociais e, muito menos, direito de reclamar? 

Texto de Pedro Paulo de Oliveira. - 
Especialista em política, palestrante e Consultor Técnico da Cabral e Oliveira. 

Imagem: Folha.

                   

NAYRA E O CHAVELHO DE ESPINHOS NA FAIXA DE GAZA

" Esses pequeninos, cheios de sonhos, sonhos que embalam o mundo, distantes das       ambições e da crueldade dos homens e mulheres que...